O uniforme escolar é um item que proporciona grande praticidade para os alunos e economia para os pais. Com certeza, usar diferentes roupas a cada dia de aula é, no mínimo, caro, devido ao desgaste. Fora isso, crianças e adolescentes numa certa idade sempre querem chamar a atenção dos colegas usando roupas diferentes e mais caras, desencadeando o consumismo.
A prática das escolas em estabelecer o uso da mesma roupa entre os alunos possui sua origem no exército, uma das primeiras instituições a adotar uma vestimenta única para todos os seus militares. As escolas mais tradicionais passaram a adotar o uniforme, de fato, somente na década de 20. Já as demais, na década de 30.
Os uniformes foram criados para simbolizar as cores, o nome, a tradição e o símbolo da escola. Desta forma, os alunos uniformizados deveriam manter um comportamento exemplar e zelar pela imagem das instituições, mesmo fora delas. Entre as décadas de 40 e 70, o uniforme de uma instituição conceituada era um símbolo de aceitação social, sendo o sonho de muitos alunos e pais.
Atualmente, os uniformes não são tão prestigiados pelos alunos. De fato, essa padronização é importante. Primeiro porque evita que a sala de aula se transforme em um “desfile de modas”. Além disso, seu uso desenvolve nos alunos um sentimento de pertencimento ao grupo, fundamental no desenvolvimento psicossocial das crianças.
NA LAPA
Praticamente todos os colégios e escolas da Lapa utilizam-se da prática do uniforme. A redação da Tribuna visitou os principais colégios estaduais da cidade para conferir o modo de implantação e a importância dada a esta vestimenta, que, como citado acima, identifica, padroniza e desenvolve o sentimento de grupo nos estudantes.
PATRULHA ESCOLAR
Segundo a Patrulha Escolar, o uniforme facilita a identificação dos alunos, ajudando na identificação de jovens estranhos ao estabelecimento de ensino.
A Patrulha Escolar realiza palestras em todas as escolas, incentivando a implantação e esclarecendo as dúvidas dos pais e mestres quanto aos seus benefícios. Para Márcio Portes, da Patrulha, “o uniforme facilita em muito o trabalho e ajuda a identificar alunos gazeteiros, que são levados novamente ao seu estabelecimento de ensino para as providências necessárias”.
SÃO JOSÉ
Desde o início de 2014 o Colégio Estadual São José, após assembleia com a presença dos pais e da patrulha escolar, instituiu seu uniforme novo. Segundo o vice-diretor Juciel Jungles, “além da economia e padronização do vestuário, esta ação proporciona maior segurança aos alunos, pois pessoas estranhas ao colégio ou mal intencionadas não têm acesso ao interior do estabelecimento”.
O controle é feito através de carteirinhas individuais, que são apresentadas na entrada do colégio e o aluno só sai quando não tem a última aula ou com autorização dos pais. Os inspetores são orientados a questionar os alunos que estão sem uniforme e a Associação de Pais e Mestres (APM) da escola disponibiliza alguns conjuntos para que este aluno troque de roupa e assista aulas uniformizado. Com isso, a resistência encontrada por alguns vai sendo quebrada e, segundo a direção, mesmo tendo sido instituído para este ano, mais de 90% dos alunos já vão uniformizados para a aula, enquanto outros 8% estão com o material em produção nas lojas e ateliers de costura. Apenas 2% estão resistindo ao seu uso, mas com o tempo acabarão se adaptando a esta nova política.
GENERAL CARNEIRO
Talvez o Colégio com mais tempo de exigência no uso do uniforme na Lapa seja o General Carneiro. Esta constatação é feita pela redação tendo em vista que até o autor desta matéria já utilizava uniforme nos idos dos anos 80. Do mesmo modo que no Colégio São José, a atual diretoria da escola optou por exigir o uso para facilitar a identificação dos estudantes, principalmente na saída das aulas, momento em que diversos jovens se encontram antes de retornar aos seus lugares de origem.
Quando o aluno chega com outra roupa, a escola disponibiliza o conjunto completo para o uso. São questionados os motivos do não uso e, conforme o caso, a APM da escola analisa mais a fundo, no caso dos mais carentes, entre outros motivos. De qualquer maneira, os alunos não assistem aula sem estarem utilizando o uniforme, mas não são enviados para casa.
Segundo o diretor Benedito, além de oferecer mais segurança aos alunos, é uma economia aos pais, que podem, em muitos casos, utilizar o uniforme do filho mais velho para o filho mais novo, e também resguardar as roupas boas do adolescente para ocasiões especiais. O diretor também informa que a escola conta com o total apoio da Patrulha Escolar para qualquer eventualidade que possa surgir.
Para a direção do Colégio General Carneiro, os uniformes implantados no Colégio São José foram de grande valia, visto que ao lado do General há um ponto de ônibus que leva os alunos ao interior do município e, com a identificação feita pelo uniforme do Colégio São José, a patrulha escolar pode agora fazer uma varredura na região para evitar o contato dos estudantes com jovens que não sejam alunos, como traficantes e pessoas que não têm o direito de usar o transporte escolar.
POLIVALENTE
A diretora do Colégio Polivalente, Luisa, conta que “os uniformes são utilizados há mais de 15 anos na escola e os pais e alunos têm a consciência da importância destes”. Por isso, a exemplo das outras escolas citadas, o Colégio disponibiliza uniformes para os alunos que chegam sem a vestimenta. É cobrada uma justificativa, mas de qualquer maneira o aluno assiste aulas uniformizado. Com esta atitude os alunos se obrigam a aderir à norma da escola, que também conta com apoio da Patrulha Escolar para palestras aos pais. O Polivalente possui trabalho constante com alunos mais carentes e busca suprir suas necessidades para que todos tenham a condição de estudar num ambiente democrático, padronizado e sem discriminação por causa das roupas.
CAIC
Em entrevista à diretora Luciana, do CAIC, foi informado que o uniforme escolar foi implantado na escola recentemente e que ainda está em processo de adequação. Isto porque na região existem inúmeras famílias carentes que não dispõem do recurso necessário para comprar o uniforme. Sabendo desta dificuldade, os inspetores são autorizados a deixar entrar alunos que não dispõe da vestimenta, mas o controle de entrada de alunos é feito através de um portão exclusivo para eles.
Como a estrutura do CAIC abriga Escola Estadual, Escola Municipal, Posto de Saúde entre outros, existia a dificuldade na contenção de pessoas estranhas, mas isto já foi parcialmente solucionado com o fechamento de todas as entradas/saídas e o reforço nos muros do entorno.
Segundo a direção, a implantação do uniforme no Colégio Estadual do CAIC será mais gradativa, mas a cobrança tem sido constante, pois acaba sendo mais barato para os pais e também facilita a identificação de pessoas alheias ao ambiente escolar.
PADRONIZAÇÃO
Uma das reclamações de alguns pais é quanto à não padronização no feitio dos uniformes, nas mais diversas escolas consultadas. Existem casos em que os uniformes são feitos de forma a serem mais justos, colados no corpo, o que incentiva a erotização dos adolescentes. Para que isso seja evitado, é preciso firmar um acordo com as lojas e costureiras, afim de não permitir alterações no padrão definido pela escola.
Uniforme escolar é para o bem de todos, não deve ser motivo para divergências. Para os pais que ainda não aderiram, algumas vantagens do uso: além de economizar, seu filho estará mais integrado ao ambiente escolar e terá mais segurança. Não se furte desse benefício.
Além disso, seu uso traz praticidade; preserva a fase em que a criança e o adolescente está (evitando a erotização e uso de roupas que erotizem o aluno); inibe o consumismo; minimiza a vaidade; é econômico; diminui o risco de bullying; proporciona segurança na hora do lazer; impõe disciplina; equilibra as diferenças sociais e confere responsabilidade.

