Unidade de Egos

Precisamos de tantas conversas a dois, ainda mais de diálogos coletivos, construtivos colaborativos. Tantos egos a serem destruídos,  tantos sonhos a serem reconstituídos.

Tropeçamos e caem as máscaras, as desavenças e as farsas, assim, meu olho vê o seu olho que vê o meu eu, interiorize, veja minha alma, exteriorize, abrace minha aura. Somos tão grandes intelectualmente se pensarmos em alto astral, e espiritualmente sentindo-se bem, elevados, e cheios de paz, abre-se um sorriso lindo. Porém, quando o Eu menor desperta, estou Eu maior dormindo. Porque eu tenho, porque eu fiz, porque eu sou desse jeito, porque eu, porque eu. Entre tantos eus, mas por que eu? E nós, que também colaboramos? E Deus? Jamais estaremos sozinhos.

Produzindo, lideramos uma equipe, co-produzindo somos liderados. Desperto na manhã de segunda-feira, penso nas pessoas do meu trabalho, na quarta-feira logo cedo, lembro-me da voz de Maria. Tenho sempre um amigo, que mesmo em silêncio e cheio de problema vem me completar, apresenta composições novas, novos textos, novas vozes, outra visão. Sua voz suave que aconselha e ilumina, se necessário puxa-me a orelha, se preciso me defende na briga. Palavras duras, olhares de reprovação, testa enrugada mostrando reprovação. Estamos desunidos, você se afastou de mim, foi porque falei palavras ruins? Será que tudo chegou ao fim? Ainda não, não acabou, pois dentro de mim há memória do que foi bom, sorrimos, cantamos e dançamos juntos. Movimento Artístico Cultural (MAC), Movimento Artístico da Lapa (MALA), não conseguimos sair do papel. Pela dificuldade burocrática ou pelo individualismo? Como já dizia minha avó; o problema é que há muita estrela pra pouca constelação. Muito cacique pra pouco índio. Unidos venceremos, separados cairemos. 

Temos artistas de verdade aqui na Lapa, que moram na cidade, talentosos, porém não são valorizados e incentivados como merecem ser. A falta de política cultural faz com que a sociedade privada também não incentive de forma mais significativa. A prefeitura ajuda como pode, as vezes como não pode, mas até quando mendigar? E o pior, por migalhas, por reconhecimento e valorização.

Precisamos ser lembrados depois da campanha eleitoral, ou melhor, precisamos entrar na campanha eleitoral após a eleição, com a bandeira da política cultural, mas não apenas em um partido, mas sim em um inteiro, sem divisões, a Lapa não comporta mais de uma associação de artistas.

Os partidos políticos separam os integrantes da mesma casa, separam famílias, isso é fazer boa política? Política pública ou de interesses particulares, financeiros e partidários?  A classe artística, o povo da cultura, só vai ganhar o incentivo que merece quando formos mais fortes politicamente, nossa representação perante o governo é muito fraca, pois para os politiqueiros, asfalto dá mais voto que cultura.

Coloco-me a frente da seguinte iniciativa; convoco todos os artistas e agentes culturais que queiram ser respeitados, para compormos a Comissão Popular de Política Cultural, vamos dialogar, vamos trocar conhecimentos, vamos hastear nossa bandeira e fortalecer os movimentos já existentes. Temos que aproveitar as portas abertas pela atual gestão, mas também, se preciso for e no bom sentido, entrar de sola nas portas fechadas. Unidade e dialogo entre o povo da cultura em busca de colaboração e empenho do governo municipal, pela continuidade da construção de políticas públicas para a cultura no município da Lapa. 

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