Às 7h40min do dia 19 de maio (segunda-feira), um menino de um ano e três meses, deu entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Lapa, acompanhado pela mãe. Às 7h42min foi realizada a triagem e classificação de risco por profissionais da enfermagem, que rapidamente, ao verificarem os dados vitais da criança e o estado físico, com esforço respiratório, chio no peito e falta de ar, a encaminharam até a sala de emergência. A médica de plantão foi chamada e, ao constatar uma grave crise asmática, iniciou as medicações necessárias para o quadro clínico.
Às 8h realizou-se a troca de plantão e dois plantonistas médicos assumiram a emergência no lugar da médica. Estes fizeram nova avaliação e diante da gravidade do caso iniciaram novas medicações e mantiveram a criança em oxigênio, intercalando com inalações.
Como o menino não apresentou melhora, às 08h30 fez-se contato com o Hospital Infantil Monastier, de Campo Largo, em busca de transferência. Não havia disponibilidade de vaga no momento, restando o cadastro na Central de Leitos, onde o médico fala com um médico regulador e este inicia buscas de emergência em hospitais.
Os médicos plantonistas, vendo a gravidade do caso, iniciaram buscas diretas via telefone em hospitais infantis, quando prontamente a médica da UTI pediátrica do Hospital Pequeno Príncipe, mesmo não podendo aceitar transferência por busca direta, percebendo a gravidade da criança em função do relato feito pelo médico, rapidamente aceitou receber o paciente. Às 09h foi acionada a regulação do SAMU, solicitando uma ambulância para transferência. Um dos médicos acompanharia a criança até o hospital, em Curitiba.
Porém, a criança não apresentou qualquer melhora: sem receber oxigênio matinha uma saturação de 74%, enquanto o normal de qualquer pessoa em bom estado é de 95 a 99 %. No início do atendimento, ao receber oxigênio mantinha uma saturação de 92%, mas logo começou a piorar. Seria necessário realizar uma intubação oro traqueal, para que conseguisse respirar normalmente e pudesse ser feita a transferência.
Até esse momento a mãe estava presente e viu todos os esforços realizados pela equipe médica e de enfermagem em manter o bem estar da criança.
Às 9h15min o SAMU já estava com a ambulância aguardando para realizar a transferência, mas a criança apresentou grande piora e foi necessário realizar a intubação oro traqueal. Por ser um procedimento invasivo, solicitou-se à mãe para que aguardasse fora da sala. Os médicos realizaram a intubação, um procedimento que requer intensos cuidados médicos e da enfermagem, tais como observação, evolução do paciente e estabilização para transporte sem risco.
Nesse meio tempo, como a criança não apresentava melhora, fez-se a solicitação de um meio de transporte mais rápido. Iniciou-se então a busca por uma aeronave por parte de profissionais da UPA e da equipe do SAMU. No entanto, a criança começou a apresentar uma bradicardia (diminuição dos batimentos cardíacos), evoluindo para uma parada cardíaca do tipo AESP (atividade elétrica sem pulso).
Às 9h40min iniciaram-se manobras de ressuscitação cardiopulmonar, enquanto a equipe médica e a equipe de enfermagem estavam em procedimento de reanimação. O serviço de helicóptero da Central Estadual de Urgência e Emergência da Secretaria de Estado da Saúde (SESA/PR) foi acionado, mas as normas desse transporte e do SAMU exigem que o quadro clínico seja estabilizado antes de se proceder qualquer remoção.
Infelizmente, após 40 minutos de tentativas de reanimação, a criança não resistiu e entrou em óbito às 10h20.
Não faltaram condições, esforços e dedicação de todos os envolvidos para salvar a vida da criança. Nenhum procedimento de atendimento de emergência, médico ou de enfermagem, faltou ou foi falho. Infelizmente a criança apresentava um estado grave, com rápida piora.
Inclusive, considerando a rapidez da evolução do caso, o serviço municipal de epidemiologia solicitou que se investigue a hipótese diagnóstica de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e para isso foi colhido material para análise do Laboratório Central do Estado (LACEN/PR).
Os dois médicos, a equipe de enfermagem, bem como os demais profissionais da UPA encontram-se desolados e chocados com o ocorrido.
Compartilhamos esse momento tão sofrido e expressamos pesar e solidariedade a todos que amavam essa criança. Sabemos que a dor de perder um filho é possivelmente a maior que exista para um pai e uma mãe.
Prefeitura Municipal da Lapa.

