O homem mais forte do Brasil é lapeano

Marcos Ferrari, nascido na Lapa há 36 anos, é atleta profissional de Strongman, a competição que reúne os homens mais fortes do mundo.

Neto de Arcênio Ferrari e de Julia Toshinsk, Marcos Ferrari é um atleta com destaque mundial, sendo considerado o homem mais forte do Brasil e da América Latina. Além disso, é tido como um dos 20 homens mais fortes do mundo pela maior organização esportiva de Strongman no globo. O melhor de tudo: Marcos é natural da Lapa.

Ele conversou com a equipe da Tribuna para contar um pouco de sua trajetória no Strongman (esporte conhecido também como atletismo de força), modalidade que testa o atleta de diversas maneiras. Cada movimento, explosão muscular, técnica e respiração determinarão se o atleta concluirá a prova com sucesso ou não. Suas origens se perdem na antiguidade, há uma forte dos highland games e também de tradições vikings. Na modernidade, o esporte começou com eventos mundiais do World’s Strongest Man em 1977.

Mas, houve todo um caminho esportivo percorrido pelo lapeano Ferrari antes de se tornar um dos vinte homens mais fortes do mundo. Em 1992, então com 14 anos, Marcos iniciou nos esportes de força, fazendo levantamentos básicos (também chamados Powerlifting). Teve uma primeira passagem modesta pelo esporte. Aí se aventurou no Rugby, Handeboll e Karatê, mas a aptidão estava mesmo em levantar pesos. Em 1998 parou com o esporte para se dedicar aos estudos na faculdade, retornando só em 2002. A partir desta data Marcos começou a se dedicar aos levantamentos de peso e os títulos começaram a surgir. Primeiro, Campeão Paulista, depois, Brasileiro, até começarem as participações internacionais.

E quando o Strongman passou a fazer parte de sua vida? Marcos conta que foi apenas em 2006. Foi quando descobriu que, com este esporte, podia fazer muito mais do que “força”. Podia fazer feitos que poucas pessoas faziam. Segundo Ferrari, tudo começou com uma brincadeira de amigos, com um pneu enorme de trator pesando 400 kg, algumas pedras de 130, 140 e 150 kg e, de repente, quando se deu conta, já estava apaixonado pelo esporte.

Infelizmente o Strongman tem poucos anos de existência no continente sulamericano, algo de pouco mais de 60 anos, enquanto que na Europa é milenar. Seus aprendizados e estrutura eram escassos aqui no Brasil, devido à falta de projeção, e foi por conta disso que o lapeano começou a buscar fora do país informações técnicas necessárias para a fomentação do esporte. Ele fez isso competindo em outros países. Mas, antes disso, o Brasil teve vários nomes importantes dentro deste esporte. Só que, infelizmente, o Strongman não vingou.

O destaque ao esporte aconteceu mesmo somente 2010, quando surgiu no país a primeira equipe e o Centro de Treinamento Especializado, a Strong Monsters, e, na sequência, a Confederação Brasileira de Strongman (CBSM), ambas projetos que foram idealizados por Marcos e sua equipe.

 

MOMENTOS DIFÍCEIS

Marcos lembra de um momento marcante em sua vida quando, em 2009, sua filha Manoela, com apenas dois anos de idade, foi diagnosticada com leucemia. Naquele momento Ferrari estava se formando como atleta de Strongman e foi um momento muito difícil em sua vida. Ele enfrentou três anos de quimioterapia da filha e todas as intercorrências que a doença traz para o paciente e seus familiares.  O lapeano lembra que pensou em parar, “mas foi justamente a Manoela que não me deixou desistir, foram momentos difíceis, mas eu toquei o barco e sempre tive apoio total da minha família, Renata, minha esposa, Matheus, Manoela e Miguel, meus filhos”, conta.

 

TÍTULOS

Em 2011 veio seu primeiro título importante, conquistado com muita luta na Argentina: Campeão Sulamericano por equipe. Na sequência, em 2012, foi Campeão Sulamericano em São Paulo, e, em 2013, veio a profissionalização, tornando-se Campeão do Primeiro Arnold Brasil.

Nestes anos de esporte Marcos esteve em vários países da Europa e da Ásia, como Portugal, Alemanha e China, por exemplo, competindo por uma das maiores organizações do mundo dentro do esporte, a Strongman Champions League.

Este ano Ferrari competiu pela primeira vez na história deste esporte como profissional no Brasil. No evento batizado pela TV Globo de “Força Bruta”, desde sua primeira edição, no ano passado no Arnold Brasil, Marcos teve uma excelente participação, quebrando dois recordes brasileiros e estando em os sete homens mais fortes da competição que tinha nível mundial. Sobre as conquistas, Marcos conta que é preciso ter muita técnica, garra e força. “Sempre fui muito teimoso e persistente e acredito ser esse o motivo do meu sucesso como atleta”, diz.

Em 2013 o atleta entrou para o Ranking Mundial com um inédito 28º lugar para o Brasil, o que significou colocar o Brasil no seleto grupo dos Homens mais Fortes do Mundo. Marcos contou à Tribuna Regional que a meta para esse ano é ambiciosa. “Quero colocar o Brasil entre os 15º a 20º melhores do mundo, buscando uma convocação que seria histórica para o WSM (World Strongest Man), a copa do Mundo de Força. Este seria o topo da pirâmide dentro do esporte, o grupo de elite”, relata.

TREINO E ALIMENTAÇÃO

Para chegar onde está, Marcos tem uma rotina de treinos pesada. Além de uma alimentação toda adequada. Segundo o ele, o treino é bem extenuante e prevê desde sessões duplas diárias de academia de musculação, além de rotinas de treinos específicos, natação, kickboxing e levantamento de peso. Marcos chega a treinar seis horas por dia, seis dias por semana.

Para manter a forma e a força, Ferrari se alimenta como um urso, fazendo refeições três em três horas, variando entre seis a oito refeições por dia. “Todos os dias consumo um quilo e meio de carne e dois quilos de mandioca. Além da alimentação forte, faço uso de suplementos específicos”, conta o atleta, explicando que, apesar disso, tenta buscar a maior parte dos nutrientes na alimentação sólida. Para todo esse trabalho ele tem acompanhamento de vários profissionais, como massagista, acupunturista, médico esportivo e nutricionista, entre outros.

 

OBJETIVOS

Questionado sobre seus objetivos como atleta de Strongman, Marcos comentou que pretende ficar entre os 10 mais fortes do mundo, marca esta que já vem buscando a duras penas, ao longo de dois anos.

 

UMA PALAVRINHA

Marcos deixa um recado para os leitores do “pequeno Grande”: “Trabalhar a força do próprio corpo é obter poder, saúde e longevidade, desde que da forma correta, com acompanhamento de profissionais sérios e sem loucura. Não adianta a pessoa que está lendo isto começar a comer a partir de amanhã o que eu como, ou a treinar tudo que foi citado de forma descabida. Quem exagerar sem supervisão com certeza será um sério candidato a ter lesões e problemas de saúde. Porém, se tudo for feito da forma correta, digo que, sem sombra de dúvidas, é possível tirar uma vasta gama de benefícios deste treinamento e / ou estilo de vida”.

 

FALANDO DA LAPA

Marcos contou que ama a Lapa e tem parentes morando no município. Dentro da sua correria, procura visita-los ao menos uma vez a cada ano ou dois. “Tenho um carinho especial por minha madrinha Ângela e por todos os meus tios e primos. Amo muito todos eles e, pra mim, é uma honra falar que sou lapeano”, finaliza o homem mais forte do Brasil.

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