O mal e o bem tem a mesma face

Entre as histórias que as pessoas contam, é possível tirar lições para a nossa vida.

Uma pequena história que conto aqui, na verdade é uma adaptação sobre uma lenda que ouvi certa vez de um professor.

É uma das lendas contadas sobre a criação de uma das mais famosas obras de Leonardo da Vinci: A última ceia.

Essa lenda circula na internet, é contada em palestras e existem defensores dela com sendo verdadeira e há os que a contestam com sendo inverídica.

Bem, não importa. A verdade é que ela tem uma bela duma lição.

Conta-se que Leonardo da Vinci, ao pintar o quadro da última ceia, deparou-se com uma grande dificuldade: precisava pintar o Bem – na imagem de Jesus – e o Mal – na figura de Judas, o amigo que resolve traí-lo durante o jantar.

Da Vinci então parou seu trabalho, até que conseguisse encontrar os modelos ideais para esta representação, pois usava pessoas como modelos para inspirar seus personagens.

Um dia, andando pelos becos da cidade de Milão, encontrou um mendigo, esfarrapado e bêbado, atirado à sarjeta. A face de sofrimento e rancor que ele apresentava deu-lhe a nítida imagem da expressão do mal que queria representar através da pintura no seu quadro, representando Judas.

Então, com certa dificuldade, o artista pediu a seus assistentes que carregassem o mendigo até o seu local de trabalho, mantendo-o de pé, enquanto o pintor copiava as linhas da impiedade e do egoísmo tão claramente delineadas naquela face.

O mendigo, sem entender nada, só saiu resmungado logo depois que Leonardo terminara sua tarefa e entregara a ele algumas moedas e lhe falou, olhando serenamente nos olhos. “Tu há de tomar um novo rumo em tua vida”.

Daquele momento, passaram-se aproximadamente três anos. A “Última Ceia” estava quase pronta, exceto por um detalhe: Da Vinci ainda não havia encontrado o modelo ideal para representar Jesus. O cardeal responsável pela igreja começou a pressionar, exigindo o término do mural.

Leonardo então sai à procura pelas ruas da cidade, até que certo dia, ao assistir à apresentação dum coral, viu em um dos rapazes a imagem perfeita do Cristo que ele queria representar na pintura. Então o convidou para o seu atelier e reproduziu seus traços em estudos e esboços.

Quando terminou, o rapaz esfregou seus olhos e notou na pintura à sua frente algo familiar. E disse ao pintor, numa mistura de espanto e tristeza:

– Já vi esse quadro antes!

– Quando? – perguntou um surpreso Da Vinci.

– Há cerca de três anos, quando eu perambulava pelas ruas, desacreditado da vida, sem sonhos, porque eu havia perdido tudo, inclusive minha dignidade, entregue à bebida e aos pequenos delitos para sobreviver, fui arrastado até um ateliê, onde alguém fez uma pintura do meu rosto. Lembro que o pintor me falou algo que ficou gravado na minha alma naquela noite. Então fui até uma igreja e vi no rosto do crucificado que havia uma chance pra mim.

Logo, com ajuda do responsável por aquela igreja, deixei de beber, me tornei um homem digno novamente e comecei a cantar no coro da igreja. E assim estou aqui hoje!

Da Vinci simplesmente ficou mudo ao deparar-se com o modelo que emprestara os traços para a imagem de Jesus no quadro. Três anos antes tinha sido o modelo para o Judas!

Aqui está a diferença de quem olha para o lado bom das pessoas e procura o bem nelas.

A grande lição desta versão da história é que o mal e bem tem a mesma face. Tudo depende apenas do momento e da ocasião em que eles cruzam o caminho de cada ser humano.

-o-o-

“Que o teu trabalho seja perfeito para que, mesmo depois da tua morte, ele permaneça”. (Leonardo da Vinci) 

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