Lapa está entre 52 municípios em situação de emergência no PR

Segundo dados do SIMEPAR, durante o último final de semana choveu aproximadamente 254 milímetros na Lapa, o que representa do dobro do volume esperado para todo o mês de junho.

Com toda essa chuva, concentrada em dois dias, houve alagamento de 45 casas na área urbana da Lapa, transbordamento de córregos e rios e desmoronamento de dezenas de pontes e bueiros na área rural. 

Na cidade, as regiões mais atingidas foram as vilas Esperança, Lacerda, Beco do Carrano, Rosário, Jardim Montreal e São Lucas.

Segundo a leitora da Tribuna, Débora Knutz, próximo à sua casa, na Avenida Papa João XXIII, Cidade Nova, estava tudo alagado na noite de sábado. Os moradores precisaram fazer valetas para que a água escoasse com mais rapidez.

Atendendo orientação da prefeita Leila Klenk, em todo o quadro urbano, desde a noite do sábado, funcionários da Secretaria de Infraestrutura trabalharam com escavadeiras e motoniveladoras para ajudar na desobstrução de bueiros. A Defesa Civil e a Secretaria de Inclusão e Ação Social prestaram dezenas de atendimentos.

Na área rural levantamentos feitos no domingo e segunda-feira apontam, de forma preliminar, que a força das águas destruiu seis pontes e 43 bueiros. Em vários pontos as enxurradas abriram buracos nas estradas.

Segundo a Prefeitura da Lapa, apesar desses transtornos, o transporte escolar continuou sendo ofertado até a quarta-feira, quando os estudantes da rede pública entraram em recesso. Com exceção para a localidade de Alves Cardosos, onde a ponte da estrada principal foi danificada e não está sendo possível passar com o ônibus.  Nas localidades de Paiquerê e Floresta São João, com a queda de uma ponte, não foi possível ofertar o transporte para cinco crianças.

Ainda conforme informações divulgadas pela Prefeitura, equipes de Saúde relataram dificuldades de acesso às localidades de Rio da Várzea, Pedrinhas, Butiá, São Bento, Campina das Dores e Barra dos Mellos por causa de transbordamento de rios.

Também há registros de prejuízos a produtores rurais, com alagamento inclusive de barracões para criação de aves na localidade do Canoeiro.

FALTA DE ÁGUA

O fim de semana com chuvas fortes e contínuas em diversas regiões do Estado elevaram o nível do volume de água, comprometendo o abastecimento. Em vários locais houve enchente na área de captação e a água ultrapassou os diques de contenção, inundando os equipamentos que coletam e bombeiam a água, paralisando o processo de produção e de distribuição.

Como são equipamentos movidos por energia elétrica é necessário secá-los, reconstruir os quadros de comando, além de uma série de outras intervenções.

Na Lapa, segundo a Sanepar, o abastecimento de água foi afetado no distrito de Mariental, com aumento considerável da turbidez afetando o abastecimento. Normalização estava prevista para quarta-feira pela manhã. Ao todo, quatro mil pessoas foram afetadas.

SITUAÇÃO DE EMERGÊNCIA

Diante da situação, a Prefeitura da Lapa encaminhou relatório à Defesa Civil Estadual solicitando reconhecimento da situação de emergência.

O governador Beto Richa assinou na manhã de terça-feira, 10 de junho, o decreto número 11.303, que estende a situação de emergência para Curitiba e mais 52 municípios paranaenses atingidos pelas chuvas intensas do último fim de semana. Agora, já são 130 municípios nesta situação. A Lapa foi incluída na lista.

O decreto de situação de emergência garante mais agilidade e elimina burocracias para que os prefeitos tenham condições de usar recursos públicos para atenuar a situação.

Pela Secretaria Estadual da Saúde foi feita liberação de mais de R$ 5 milhões para que os prefeitos possam contratar mais profissionais, pagar horas extras. Foram enviadas vacinas, remédios para gripe e inúmeros outros medicamentos para prevenir doenças comuns após enchentes.

A área da Infraestrutura e Logística já detectou os pontos em rodovias com pavimento deteriorado, barreiras, pontes prejudicadas e as ações para normalizar o tráfego já estão em andamento.

SOLIDARIEDADE

A administração municipal se solidariza com todos que foram afetados pelas chuvas e pede calma e paciência à população. As ruas, estradas, pontes e bueiros serão recuperados, com prioridade para os locais de maior tráfego.

O Governo Estadual, por meio da Defesa Civil, já enviou para as cidades atingidas 10 mil cobertores, duas mil fraldas, 400 fardos de roupas, além de mais de 100 quilos de alimento emergencial (preparado de sopa).

Os produtos e alimentos são de doações feitas por entidades e a população, que a Defesa Civil recebe, organiza e despacha para o interior. Mais caminhões seguiram para as cidades na terça-feira.

No entanto, apesar do envio por meio do Governo do Estado, a população também pode contribuir. A Secretaria Municipal de Inclusão e Ação Social está arrecadando cobertores, roupas, mantas, madeira e telhas para ajudar os atingidos pelas chuvas. Se você precisa de algum auxílio, ou tem alguma doação, entre em contato com a Secretaria de Inclusão e Ação Social pelo telefone 3911-1075 ou deixe nos pontos de coleta da campanha que está sendo promovida pela Secretaria.

AÇÕES

O governador Beto Richa anunciou na terça-feira, 10 de junho, mais medidas emergenciais para minimizar os prejuízos das famílias atingidas pelas chuvas intensas. Todas as casas identificadas pela Defesa Civil como danificadas ou atingidas por alagamentos pagarão nos próximos três meses uma tarifa de R$ 1 pela água utilizada. A Copel parcelará em seis vezes as contas dos próximos três meses para todas as casas, comércios e indústrias atingidas. A cobrança deste parcelamento também se dará só daqui a 90 dias.

A redução da conta de água será aplicada automaticamente, sem que os clientes beneficiados pela medida emergencial precisem fazer o cadastramento.

Os consumidores da Copel também deverão ser reconhecidos pela Defesa Civil ou pelos escritórios regionais da Copel.

O governador anunciou ainda que a Fomento Paraná irá disponibilizar linhas de crédito para empresários e comerciantes que perderam tudo e que precisam de recursos para reerguer seus estabelecimentos. Será uma linha de crédito especial, por meio do Fundo de Desenvolvimento Econômico, para atender os empreendedores dos municípios atingidos pelas chuvas.

O Governo do Estado recebeu na terça-feira, 10 de junho, a doação de cinco veículos Renault para serem usados em ações do programa Família Paranaense, criado em 2012 para reduzir os índices de extrema pobreza no Paraná. Adaptados e equipados, os veículos vão funcionar como Centros de Referência de Assistência Social (Cras) volantes para atender comunidades rurais e isoladas que vivem nos municípios da Lapa, Manoel Ribas, Nova Laranjeiras, Ortigueira e Palmas.

Os veículos, modelo furgão, possuem espaço reservado para atendimento privativo às famílias e são equipados com notebook e impressora, data-show, telão e sistema de som com microfone.

A coordenadora do programa Família Paranaense, Letícia Reis, explicou que a escolha dos cinco municípios beneficiados foi baseada em estudo. “São municípios que estão localizados em diferentes regiões do Estado e possuem grande quantidade de famílias que estão em situação de vulnerabilidade social e têm dificuldades de acesso aos serviços sociais”.

Nos veículos, técnicos farão atendimentos, encaminhamentos, inclusão de famílias no Programa Família Paranaense e em outros programas sociais.

AFETADOS

Os municípios sofrem as consequências de chuvas intensas, que provocaram alagamento, deslizamentos, fortes enxurradas e inundações provocadas pela cheia de diversos rios, entre os quais o Ivaí, Iguaçu, Jordão, Rio das Mortes, Pinhão, Rio dos Patos e São João.

Conforme o boletim da Coordenaria Estadual de proteção e Defesa Civil, divulgado às 9 horas de terça-feira, 422.435 pessoas, de 132 municípios, foram afetadas. Neste número incluem-se não só as que tiveram perda total ou parcial de residências e bens, mas também as atingidas por interrupção de fornecimento de energia, de água, por danos nas lavouras, isolamento e dificuldade de tráfego por prejuízos em estradas.

O levantamento mostra que, no Paraná, 3.431 pessoas estão desabrigadas e 11.710 permanecem desalojadas.

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