Pela união de forças

Uma cidade não se transforma sozinha. Ela depende da ação de pessoas para mudar – seja para o bem ou para o mal. Embora a mobilização e o engajamento a favor das mais diversas causas aumentem a cada dia, há quem defenda que as mudanças em uma cidade não são efetivas sem o envolvimento do poder público. O que não significa que ações pequenas e isoladas não sejam capazes de dar início a metamorfoses urbanas.

Hoje, o amplo acesso à informação e as facilidades oferecidas pela internet abrem as portas para o diálogo entre pessoas distantes e com ideias em comum. O que vem acontecendo é que, é pela web que os cidadãos mostram sua insatisfação com o poder público, com a situação de seu bairro, divulgam festas e eventos, combinam carona solidária, a vizinhança se mobiliza contra a insegurança, alunos descobrem a chance de estudar de graça para o vestibular e se encontram doadores de sangue. Esses são apenas alguns exemplos dos tipos de mobilização que podem ser feitos pela internet.

Aos poucos, a população está percebendo que não pode ser passiva. Na internet, cria-se um espaço de interação em que as pessoas participam muito mais. É um caminho inicial para estimular as pessoas a pensar a cidade que elas querem no futuro e a se mexer desde já para que os desejos se concretizem.

Mas, apenas discutir, criticar e sugerir, pela internet, não basta. Para mudar a realidade é preciso a soma de esforços e, assim, atingir um resultado satisfatório. Além da mobilização popular, é preciso que exista a participação de pessoas (líderes ou com espírito de liderança) ou de organizações que instiguem e articulem os atores rumo a um objetivo. Nesse sentido, pode-se citar o Executivo municipal como agente norteador, por exemplo. Por isso, a importância dos esforços da Prefeitura, pois muitos querem fazer, querem participar, mas não têm condições ou mesmo apoio. Por isso a importância de existir profissionais no Executivo municipal que saibam ouvir a população, saibam receber o cidadão e orientá-lo e, depois, colocar em prática a ação conjunta, concretizando as solicitações da população.

Também pode ser citado o exemplo das Associações de Moradores, que têm grande relevância como agente norteador. Mas, é preciso que estas instituições não existam somente no papel, mas coloquem em prática todo o seu potencial de mudança social. Também é preciso que a população fique atenta para que não seja utilizada somente em épocas eleitorais, pelos líderes. Pois, desta forma, infelizmente, não será possível chegar à cidade que as pessoas desejam. O interesse deve ser o da população, e não de grupos ou de determinadas pessoas.

Em se tratando de associação de moradores, de bairros, elas se mostram de grande importância, tendo em vista que a população, a cada dia mais, está se afastando. E, para se chegar a boas ideias, é preciso socialização. Antigamente o povo era mais integrado. Hoje, a unidade do bairro não existe mais. Cada quadra é uma pequena vila. Então, as pessoas devem focar em suas quadras como ponto de partida para suas ações.

A cobrança de medidas do poder público – que deve cuidar da cidade de forma homogênea, sem privilegiar regiões – é necessária. Sem a participação da população, o serviço público cai em qualidade.

Por isso, o envolvimento comunitário é bom, mas não é o suficiente. É preciso que o poder público atue como deve atuar, invista como deve investir. O Legislativo, fiscalizando – efetivamente – o Executivo. A população fiscalizando – efetivamente – o Legislativo e o Executivo.

E os cidadãos, ainda, podem ir além disso. Devem fiscalizar, também, os seus pares. Como? Um exemplo é a questão das calçadas e terrenos baldios. A construção e a manutenção de calçadas na frente de imóveis particulares fazem parte das responsabilidades do proprietário (e não do poder público, como muitos acreditam).

O cuidado com a calçada não se restringe ao alinhamento de pedras e à eliminação de buracos. Ajudar a manter o chão limpo é uma tarefa de cidadania que extrapola o hábito de jogar o lixo em local apropriado; é uma preocupação que pode fazer a diferença no cotidiano de outras pessoas. Como assim? Calçadas alinhadas, sem buracos e limpas, evitam que idosos, mães com carrinhos de bebês e até crianças, sofram quedas. Evitam também que o lixo jogado indevidamente na calçada, o excesso de terra e sujeira, sigam para as bocas de lobo, entupindo as galerias pluviais e fazendo com que, com as chuvas, haja maior acúmulo de água nas ruas.

Algum morador não está cuidando devidamente da calçada ou do terreno baldio? Denuncie ao poder Executivo municipal, que tem o dever de fiscalizar e cobrar mudanças. Você acredita que é preciso mudança na legislação local para que se cobre IPTU diferenciado daquele proprietário que não dá fim útil a terreno baldio (deixando crescer o mato e aumentar o risco à saúde pública e  a insegurança à população)? Cobre de seu representante no Legislativo que aja, alterando a lei.

Para que uma cidade melhore, é preciso união de esforços. Esforços que devem partir do cidadão, não somente na internet (ferramenta bastante válida e que não deve ser deixada de lado), mas na prática, “cara a cara”, na sua rua, na sua escola, em seu bairro.

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“Temos de nos tornar na mudança que queremos ver.” (Mahatma Gandhi)

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“O progresso é impossível sem mudança. Aqueles que não conseguem mudar as suas mentes não conseguem mudar nada.” (George Bernard Shaw)

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