Somos concordes, na nossa cultura e tradição, de que o tempero é uma questão de gosto e preferência pessoal. Há quem gosta de temperar o alimento bastante. Há também quem usa pouco tempero ou até quase nada, por uma questão de saúde. Contudo, no que tange à espiritualidade, ainda que seja um pouco diferente, os ingredientes são dádivas graciosas da Ação de Deus. Incluso, vale destacar, que quanto a ela, não há como valorar o muito ou mesmo pouco “temperado”, porém, a existencialidade gerada se faz perceber na caminhada da vida e viver.
A fonte existencial da Ação de Deus é quadrupla: a Escritura Sagrada, a Graça, a Fé, Jesus Cristo. E, interessante, são internamente interligadas. Nenhuma supérflua. Nenhuma desnecessária. Consequentemente, imprescindíveis na vida e viver mediada pelo Espírito Santo. Por conseguinte é a pregação que promove e glorifica a Jesus Cristo um dos meios concretos do Agir Divino em nós.
A Escritura Sagrada, um milagre de Deus, não só pela sua historicidade, mas sim, sobretudo, por causa do seu centro, alvo e fundamente é inspirada, útil e valorosa, sempre, quando é conhecida e reconhecida pela fé obediente – 2 Timóteo 3.14-16.
Supreendentemente o “tempero” existencial na vida e viver não é fruto do esforço, mérito, conquista e boas obras do ser humano. Pelo contrário, como Boa Notícia – Evangelho – é ação libertadora que impulsiona a pessoa para o serviço em prol do Reino de Deus – 1 Coríntios 15.57-58.
Ainda que haja diferentes fés e espiritualidades, muitas fruto do ouvir, somente a gerada pelo Espírito Santo de Deus é que tem como base os benefícios de Jesus Cristo – Romanos 10.16-17. Logo, a pregação, genuína, precisa promover e glorificar a fé nEle.
De fato, ninguém pode lançar outro fundamento salvífico senão exclusivamente o Filho Unigênito de Deus – Atos dos Apóstolos 4.12. Porém, o nosso chamado é tentar conhecer ao máximo o que Ele, de fato, disse e ensinou. E, quem tem a experiência existencial depreendida daí, sempre afirma: Vale a pena. Ensina-me, SENHOR, porque quero ser um discípulo Teu.
Chama a atenção que de Gênesis a Apocalipse, sempre, a Graça mediante a fé em Jesus Cristo é o “tempero” ímpar que sustentou os passos, a vida, o viver e a existência mais alegre e feliz. Ah, é digno de nota que o próprio Cristo não obrigou ninguém a crer nEle à força. Porém, tanto o crer quanto a incredulidade temperam e tem responsabilidades consequentes.
A aceitação do Evangelho, a Boa Notícia de Jesus Cristo, constitui e é a marca inconteste da mais alegre e feliz vida. Por quê? Porque somente a Escritura Sagrada promove e aponta para o único infalível e digno de plena e total confiança. Tanto é que alguém assim testemunhou: “Tu és minha força, minha rocha, meu abrigo, meu escudo, minha energia – assim me diz a Tua Palavra –, meu socorro, minha salvação, minha vida, meu Deus poderoso em todo perigo; quem poderá se opor a mim?”.
Deus, pela pregação fundamentada no centro da Escritura, aumente e sustente em nós, por graça, a fé em Jesus Cristo, todos os dias, até o fim deles. Amém.
Pastor Airton Hermann Loeve – Comunidade Luterana da Lapa.

