Vida em comunhão

Como é bom ter amizade. Dia 20 foi o dia do amigo. Ser amigo não é coisa de um dia. São gestos, palavras e sentimentos que se solidificam no tempo e não apagam jamais, escreveu alguém. E, isso é vivenciado existencialmente na amizade e comunhão cristã.

Na vida cristã, a amizade foi definida por Dietrich Bonhoeffer no seu livro “Vida em Comunhão” assim: “O privilégio que as pessoas cristãs tem de viverem já agora em comunhão visível com outros cristãos, no período entre a morte de Cristo e o juízo final, é apenas uma antecipação misericordiosa das coisas derradeiras. É graça de Deus uma comunidade poder reunir-se neste mundo, de maneira visível, em torno da Palavra de Deus e Sacramentos. (…) A presença física de outros cristãos constitui para o cristão uma fonte e fortalecimento incomparáveis.” Logo, se amigos estão é para sempre.

Em diversas passagens da Palavra de Deus vemos como sentimentos de carinho, saudade e desejo de se rever são expressos. Por exemplo: 1 Tessalonicenses 3.10; 2 Timóteo 1.4; 2 João 12. E, o autor mencionado acima escreve que “é variada a medida da graça da comunhão visível que Deus concede. Uma visita rápida de um irmão cristão, uma oração em conjunto e a bênção fraterna consolam o cristão (…), uma carta escrita pela mão de um cristão conforta. As saudações escritas a próprio punho por Paulo em suas cartas eram, sem dúvida, sinais de tal comunhão. Outras pessoas desfrutam da comunhão do culto dominical. Outras ainda levam uma vida cristã na comunhão familiar.”

Compreender e viver a comunhão cristã sob a Palavra é um desejo que não deve ser abafado, pelo contrário, valorizado porque é graça. Sim, algo extraordinário. São “as rosas e o lírios da vida cristã”, como escreveu o reformador Martim Lutero.

Como é bonito rever e reencontrar pessoas amigas. Essa amizade pode ser aprofundada na comunhão cristã que a partir da Escritura Sagrada entendem que a sua salvação, redenção e justificação não devem ser buscadas em si mesmo, mas exclusivamente em Jesus Cristo.

Viver inteiramente a partir da Verdade do Evangelho é uma possibilidade real para cada pessoa. Logo, todas podem ser amigas e cristãs, ou seja, se ‘abraçar’ na fé aos Benefícios de Cristo, quem, por sua vez, é o único que assegura salvação, felicidade, justiça, paz, inocência.

A amizade verdadeira é um bem, um tesouro, um pérola precisa que precisa ser cuidada com muito carinho e amor. E, é na amizade cristã que agradecemos, também, pela graça de viver sob o chamado, perdão e promessa de Cristo. Ou seja, no convívio da comunhão cristã a amizade tem como base o perdão, por graça.

A amizade e a comunhão em Cristo consistem unicamente no que Cristo fez por nós. Logo, agradecer a Deus por elas nunca se torna algo ultrapassado. E, com certeza, é assim como escreve o autor mencionado: “a fraternidade cristã não é um ideal que nós devêssemos realizar. É uma realidade criada por Deus, em Cristo, da qual todos podemos fazer parte.”

P. Airton Hermann Loeve – Igreja Luterana da Lapa

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