Conheça a história do salgado típico lapeano, que surgiu em uma Festa de São Benedito, na década de 1940.
Não existe registro exato do ano, mas foi no início da década de 1940 que a lapeana Maria da Glória Ribas Kuss (05/11/1901 – 19/03/1997) teve a ideia de juntar massa de pastel com farofa feita de farinha de milho e carne de frango desfiada.
Maria de Jesus Rosa do Rosário, atualmente com 90 anos, conta que naquela época dezenas de pessoas reuniam-se na casa de Maria da Glória para o trabalho voluntário de preparar os alimentos vendidos na festa em louvor a São Benedito, realizada no dia 26 de dezembro. Certa vez acabou a carne moída e sobrou massa de pastel. Como também havia grande quantidade de farofa para recheio dos frangos a serem assados, a iniciativa foi juntar a massa e a farofa em formato de coxinha.
No início, o salgado era produzido apenas para as festas religiosas. Com o passar dos anos, várias pessoas foram aprendendo a receita e a coxinha de farofa passou a ser produzida comercialmente.
Benedita de Aguiar Berghauser, 70 anos, na década de 1970 fornecia salgados para cantinas e lanchonetes da Lapa. Aprendeu a fazer a coxinha de farofa com a dona Maria da Glória e, segundo conta, inspirada nos canudinhos de maionese teve a ideia de cortar a massa de pastel em tiras para envolver a farofa, dando origem ao formato atual. “Antes o recheio era colocado num pedaço de massa e juntavam-se as pontas, formando uma trouxinha”, recorda.
POPULARIZAÇÃO
Maria de Lourdes Nizer, 65 anos, aprendeu a receita há 25 anos e começou a produzir a coxinha de farofa para ser vendida pelos filhos junto com outros salgados em empresas da Lapa. A venda de porta em porta deu origem, dez anos depois, a uma empresa que hoje atende em três endereços na cidade. Em todos eles a coxinha de farofa faz parte do cardápio.
Rosa Mazur Kugeratski, 68 anos, é proprietária da primeira panificadora em que a coxinha de farofa começou a ser produzida na Lapa, há 20 anos. “As pessoas pediam, então começamos a fazer. No início não foi fácil. Hoje, principalmente nos finais de semana, chega a faltar. Muitos turistas fazem questão de vir aqui por causa da coxinha de farofa. As excursões ligam antes para encomendar”, relata. Dona Rosa também aprendeu a receita nas festas de São Benedito e acrescenta um detalhe interessante à história. Segundo ela, o Monsenhor Henrique Falarz, pároco da Lapa durante vários anos, incentivava a produção das coxinhas de farofa nas festas religiosas pensando nas famílias mais pobres. “Ele dizia que quem não pudesse comprar um frango assado compraria coxinha de farofa e estaria bem alimentado”, relembra.
Atualmente, quase uma dezena de estabelecimentos vende a coxinha de farofa na Lapa, que também pode ser encontrada na feira da agricultura familiar, realizada semanalmente. Existem diferenças na consistência e no sabor da farofa, que varia conforme quem a produz. Além dessas variações na farofa tradicional, na festa será possível encontrar pela primeira vez à venda alguns novos sabores, como de carne seca, vegetarianas e até doces, com chocolate e frutas fazendo parte do recheio.

