O Polaco do Sinal: o sorriso que virou parte do trânsito da Lapa

Há cerca de um ano, Gildemar Richard trocou o desemprego pela rua e transformou o semáforo em ponto de trabalho e amizade. Hoje, é figura querida na rotina da Rodoviária e símbolo da força de quem vive do próprio esforço.

Entre buzinas, faróis e pressa, há um rosto conhecido que faz o trânsito da Lapa parecer mais leve. É Gildemar Richard, o Polaco do Sinal, vendedor de balas e geladinhos que conquistou os motoristas com simpatia e constância.
Há cerca de um ano, ele começou a trabalhar nos semáforos — primeiro na Munhoz da Rocha, e há alguns meses, no ponto da Rodoviária, onde o movimento é maior e as histórias se multiplicam.

“Comecei por necessidade. Não consegui outro emprego e pensei: vou vender no sinal. No início era pra ajudar nas contas, mas virou o meu trabalho fixo. Hoje, se eu não venho, o pessoal já pergunta onde eu tô”, conta, com o sorriso tímido que virou sua marca registrada.

Antes de se reinventar nas ruas, Polaco trabalhou em obras, frigorífico e supermercado. O novo ofício trouxe não apenas renda, mas também vínculos. “Aqui tem motorista que passa todo dia. Um deles, um senhor que leva a netinha na escola, sempre compra duas paçocas. Se eu não tô no sinal, ele buzina, faz tchau de longe e grita: ‘Tá de folga hoje, Polaco?’”, relata, rindo. “Essas coisas dão força pra continuar.”

Nos dias frios, ele oferece balas e paçocas. No calor, o geladinho gourmet refresca o movimento. A rotina exige paciência e fé. “Tem dia que o sinal fecha rápido, o motorista não tem tempo de pagar e faz PIX depois. A maioria é honesta. A gente aprende a confiar”, diz.

Mesmo com chuva, Polaco quase nunca falta. “Tenho um terreno pra pagar, então não dá pra parar. Tem dia ruim, mas no outro melhora. É só não desistir”, afirma, ajeitando a caixa de produtos.
Ele se orgulha do carinho que recebe: “Já teve gente que desceu do carro pra me trazer um café num dia de frio. Não é o café que esquenta, é o gesto.”

O contato humano é o que mais o motiva. “Gosto de ver o pessoal sorrir. O trânsito às vezes tá pesado, o povo irritado, mas um bom dia muda tudo. Eu aprendi que gentileza também é produto — e o meu é de graça”, brinca.

Com seu jeito simples e persistente, o Polaco do Sinal se tornou mais do que um vendedor: virou símbolo da dignidade de quem faz da rua um espaço de trabalho, esperança e encontro.
“Meu sonho é montar um quiosquezinho um dia, mas se for pra continuar aqui, tá bom também. Aqui o povo me conhece. Aqui, eu me sinto parte da cidade.”

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