
Secretaria de Assistência Social e Políticas para a Mulher amplia serviços, fortalece clubes de mães e prepara a Casa da Mulher enquanto município registra mais de 3.240 ocorrências de violência em cinco anos.
No Dia Internacional de Prevenção à Violência contra a Mulher, celebrado mundialmente em 25 de novembro, a Lapa destaca avanços importantes na proteção e no acolhimento às mulheres. A data, reconhecida pela ONU desde o assassinato das irmãs Mirabal, reforça a urgência de combater todas as formas de agressão. No município, a criação da primeira Secretaria de Assistência Social e Políticas para a
Mulher marca um novo capítulo. “Começamos a secretaria em março, estruturando tudo do zero, porque a mulher não pode esperar”, afirma a secretária Janaína Piovezan Ribas.
Os dados locais revelam o tamanho do desafio: foram 3.240 boletins de ocorrência de violência contra a mulher nos últimos cinco anos, número considerado subnotificado pela própria rede municipal. Para enfrentar esse cenário, a secretaria intensificou campanhas e ações educativas, especialmente no Agosto Lilás, que trouxe palestras, atendimentos e a presença do Ônibus Lilás. “A violência não é só física. Muitas mulheres descobrem que vivem violência moral, psicológica ou patrimonial durante nossas ações”, destaca Janaína.
A rede municipal de atendimento foi reorganizada para responder de forma mais integrada. CRAS, CREAS, Centro da Juventude e Centro do Idoso receberam capacitação
específica para acolher mulheres em qualquer faixa etária. A diretora técnica Gabriela Sampaio reforça que a violência atravessa gerações: “As equipes precisam estar preparadas para orientar e proteger. A mulher tem que sentir que não está sozinha”.
Entre os avanços estruturais, destaca-se a criação de uma casa de acolhimento em parceria com o Comesp. O espaço está preparado para receber mulheres e filhos em situação de risco iminente, como descumprimento de medida protetiva. “Ainda não precisamos usar, mas a segurança delas está garantida. Se for necessário, teremos onde acolher”, afirma Janaína.
A rede também mantém forte parceria com a Polícia Militar, especialmente através da Patrulha Maria da Penha, além de articulação com Ministério Público e Procuradoria da Mulher.
A secretaria também tem realizado ações integradas para atender famílias com múltiplas vulnerabilidades, reunindo num mesmo encontro assistência social, saúde, educação, conselho tutelar e outros serviços. “Em vez de cada equipe ir separadamente, trazemos todos para conversar com a família ao mesmo tempo. Os resultados têm sido muito positivos”, explica Gabriela.
A descentralização das políticas públicas é outro eixo essencial. A secretaria reativou 14 clubes de mães, espaços que se tornaram fundamentais para levar informação ao interior. “O interior sempre ficou descoberto, então levamos bazar, atendimentos e conversas sobre violência para as comunidades rurais”, diz Janaína. Atividades com psicóloga e educadora física ajudaram a desenvolver autoestima e consciência sobre direitos. “É plantar a sementinha para que a mulher entenda o valor que tem”, completa Gabriela.
A autonomia econômica aparece como estratégia-chave para romper o ciclo da violência. Parcerias com o Senac têm oferecido cursos profissionalizantes, como maquiagem profissional, panificação e confeitaria. “A grande maioria não sai da violência por causa da dependência financeira. Os cursos são um caminho real para uma vida nova”, reforça Janaína. O município também participa do projeto Paz em Casa, que trabalha grupos reflexivos com agressores, buscando interromper ciclos repetidos de violência.
O maior avanço estrutural está na construção da Casa da Mulher da Lapa, já habilitada pelo Governo do Estado, com início de obra previsto para março. O espaço terá atendimento jurídico, psicológico, social, cozinha escola, pilates e coworking. “Será um lugar para trabalhar a mulher em todas as esferas”, comemora a secretária. Para Janaína, o recado deste 25 de novembro é claro: “Somos mais de 52% da população.
Precisamos nos fortalecer, apoiar umas às outras e mostrar nque ninguém precisa viver violência. Unidas, evoluímos”
