
Fundadores, patrões e voluntários construíram, geração após geração, a identidade do Esteio da Tradição na Lapa.
O CTG Esteio da Tradição não se sustenta apenas por galpões, pilchas e rodeios. A base real da entidade sempre foi humana: nomes, histórias, lideranças e gente comum que fez da tradição um projeto de vida. Desde os primeiros passos, na década de 1970, até os grandes eventos nacionais de hoje, o que manteve o esteio em pé foram pessoas.
Fundado oficialmente em 26 de outubro de 1975, o movimento tradicionalista na Lapa ganhou força graças a um grupo de entusiastas que assumiu a missão de preservar e difundir a cultura regional. Conforme registro histórico publicado pela Tribuna Regional em 1976, o trabalho inicial coube a Aurélio Bortoleto, José João, Fernando Carvalho, Alfredo Azambuja, Arthur Braga, Bianor Kaseker, Antônio Coelho, Adir Minardi, Antônio Pinto, Antônio Pereira, Acir Monastier e Aluísio Martins. Foram eles que “carregaram com heroísmo e pujança a bandeira tradicionalista”, como descreveu o jornal à época.
Entre esses pioneiros, alguns nomes se tornaram símbolos da memória afetiva do CTG, como Alfredo Azambuja, já falecido, lembrado como um dos grandes articuladores do projeto cultural que viria a se consolidar na cidade. Ao longo dos anos, novas lideranças assumiram o protagonismo, entre elas Antônio Evangelista Bassani, Aloizio Kuss Marins, Moacir Lourenço, Moacir School, Otávio Marques Marins e Anderson Marques Marins, o Popô, também já falecido, figura marcante nas lidas campeiras e na formação de gerações de peões.
Mais do que cargos formais, o CTG sempre foi sustentado por personagens anônimos, mas essenciais: as cozinheiras que mantêm a tradição do fogo de chão, os laçadores que representam a entidade Brasil afora, as prendas que preservam a dança e a indumentária, as famílias inteiras que transformaram o galpão em extensão da própria casa.
Hoje, filiado à 1ª Região Tradicionalista do MTG-PR, o Esteio da Tradição é uma das instituições culturais mais relevantes da Lapa. Seus rodeios crioulos interestaduais e nacionais, realizados no Parque de Exposições e Eventos, atraem competidores de todo o Sul do país e reforçam a herança tropeira que marca a história do município.
Mas, por trás da grandiosidade dos eventos, permanece a essência: voluntariado, pertencimento e memória. A tradição, no fim das contas, não se herda pronta. Ela se constrói, se cuida e se transmite — sempre de pessoa para pessoa.
Essa caminhada de pessoas e histórias desemboca agora em um momento simbólico: o rodeio comemorativo de 50 anos, que promete marcar uma nova página na trajetória do CTG e reafirmar que, sem gente, não existe tradição — só cenário vazio.

