
Com nova esmagadora de soja e a segunda maior planta de glicerina refinada do mundo em operação, empresa projeta faturamento de R$ 20 bilhões anuais até 2030 e posição de liderança global em biocombustíveis.
O Grupo Potencial, com sede no município da Lapa, na Região Metropolitana de Curitiba, deu início nesta quarta-feira (25) a um novo e ambicioso ciclo de expansão industrial. Com investimentos previstos de R$ 6 bilhões até 2030, a empresa inaugurou duas novas instalações — uma esmagadora de soja e a segunda maior planta de glicerina refinada de padrão farmacêutico do mundo —, consolidando sua posição como um dos mais relevantes polos de agroenergia do planeta. O evento contou com a presença do vice-governador do Paraná, Darci Piana, e de representantes do governo estadual.
A estratégia do grupo tem como eixo central a verticalização completa da cadeia produtiva, integrando desde o esmagamento do grão até a geração de biocombustíveis e energia renovável. Ao final do ciclo de expansão, o complexo industrial da Lapa deverá processar 14.200 toneladas de grãos por dia — aproximadamente 4,7 milhões de toneladas anuais —, tornando-se a maior indústria de biodiesel em planta única do mundo.
As projeções de produção anual são expressivas: até 1 bilhão de litros de etanol, 1,7 bilhão de litros de biodiesel, 500 milhões de litros de óleo degomado e 9 milhões de metros cúbicos de biogás. A companhia também prevê uma injeção de R$ 6,3 bilhões por ano na economia regional, considerando apenas a compra de grãos. Para o escoamento da produção, estima-se a movimentação de cerca de 355 caminhões por dia.
Expansão em etapas
A ampliação do esmagamento de soja ocorrerá em duas etapas, dobrando a capacidade atual de 3.500 para 7.000 toneladas por dia, o que garantirá maior autonomia no fornecimento de óleo para biodiesel. Em paralelo, a produção de etanol de milho será implantada em três módulos de 2.400 toneladas diárias cada, somando 7.200 toneladas por dia e aproximadamente 2,6 milhões de toneladas anuais — consolidando o milho como nova frente estratégica da empresa.
“Estamos consolidando um modelo industrial totalmente integrado, que começa no campo e termina na geração de energia limpa. Essa verticalização nos dá eficiência, competitividade global e segurança de suprimento”, afirmou Carlos Eduardo Hammerschmidt, vice-presidente Comercial, de Relações Institucionais e Novos Investimentos do grupo.
Incentivos estaduais como alavanca de atração
Desde 2011, o Grupo Potencial integra o programa Paraná Competitivo, mecanismo de política pública do Governo do Estado que concede incentivos fiscais — entre eles a redução do ICMS — a empresas que investem ou ampliam operações no território paranaense. O programa é apontado pela empresa como fator relevante na decisão de enraizar e ampliar os negócios no Paraná ao longo dos anos.
O vice-governador Darci Piana participou da cerimônia e destacou o ambiente de negócios do Estado, citando o Rota do Progresso como instrumento de desenvolvimento regional. O secretário da Fazenda, Norberto Ortigara, ressaltou a relevância estratégica da cadeia de soja para a economia paranaense, pontuando que o Paraná responde por cerca de 22 milhões das mais de 170 milhões de toneladas produzidas anualmente no Brasil.
Próximos passos e parceria com Compagás
Até o fim de 2026, a empresa prevê a inauguração de uma terceira planta de biodiesel, a implantação de uma Estação de Tratamento de Efluentes em circuito fechado e a construção de dutos para transporte de biocombustíveis e gás. Para o gasoduto, estão previstos R$ 300 milhões em investimentos — dos quais R$ 100 milhões serão aportados pela Companhia Paranaense de Gás (Compagás), estatal vinculada ao Governo do Estado. Para 2028, o grupo projeta nova expansão na produção de etanol de milho.
Atualmente, cerca de 95% dos resíduos gerados nas operações da empresa já são reaproveitados. A meta de resíduo zero é um dos objetivos declarados para o próximo ciclo. O grupo também se posiciona como produtor de glicerina refinada de padrão farmacêutico, com presença no mercado global.
Com faturamento anual projetado em R$ 20 bilhões até 2030, o Grupo Potencial consolida a Lapa como um dos polos industriais mais relevantes do agronegócio brasileiro — e o Paraná como protagonista na produção de energias renováveis. O desafio, agora, está em transformar projeções em entregas dentro do prazo e na escala anunciada.
