
Amanda e Alex constroem juntos, a pé, sem carro e com muito sentimento, uma empresa que nasce do zero — e conquista a cidade uma empada de cada vez
Há casais que o amor une. Há casais que a luta forja. Amanda Correia Ferraz e Alex Altair Pedroso Ferraz são os dois ao mesmo tempo. Ela tinha 12 anos quando o viu cantar na igreja e se apaixonou. Hoje, dezesseis anos de casados depois, os dois saem juntos todo dia, a pé, debaixo de chuva ou sol, com uma caixa de empadas e a convicção de quem não tem outra opção a não ser dar certo.
A história do Rei da Empada não começa com um plano de negócios. Começa com uma mãe jovem em Curitiba, empurrando um carrinho de bebê com a filha Ana Clara dentro e um pote de empadas em cima — vendendo de porta em porta para comprar fralda e fruta no fim da semana. Era 30 reais por semana. Era necessidade pura.
Mas necessidade, nas mãos certa, vira fundação.
A receita Amanda aprendeu com uma vizinha, em cima de muito choro e de muita tentativa malsucedida na forminha. “Ela falava: tire e faz de novo. Eu chorava, ficava nervosa. Ela mandava eu tomar uma água, respirar”, conta Amanda. Com o tempo, a massa foi ganhando forma. E com ela, um caminho.
De volta à Lapa nas férias do marido, Amanda convenceu Alex a levar um lote de empadas para vender. Ele saiu com 20 unidades. Voltou com zero e com as mãos levantadas: vendeu tudo. No dia seguinte, saíram os dois — cada um com sua bacia, cada um por um lado da cidade. E assim começou o que seria o sustento da família, o pagamento do curso de enfermagem de Amanda, os tijolos da casa que construíram nos fundos da casa da mãe dela, e a base de uma empresa que só agora, em 2025, ganhou nome e identidade visual.
O nome veio da rua
Por anos, o MEI ficou aberto sem uma marca. Foi um cliente que resolveu: “Você precisa ser chamado de Rei da Empada.” Alex chegou em casa e disse para Amanda. Ela não pensou duas vezes. Fizeram um adesivo para a caixa, criaram o Instagram @reidaempada2 e a página no Facebook — e Amanda passou a estudar marketing por conta própria, assistindo vídeos no TikTok e no Facebook até entender como funcionava.
O resultado apareceu rápido. Clientes antigos voltaram a aparecer. Clientes novos chegaram pelos comentários. Carros param no meio da rua quando avistam o casal. Encomendas chegam pelo WhatsApp. “Quem não é visto, não é lembrado”, diz Amanda — e ela decidiu ser vista.
Hoje a rotina começa às 4h45 da manhã, quando Alex levanta para as empadas. Às 6h, Amanda acorda, embala as entregas e grava os vídeos do dia. Às 8h15, depois de levar as filhas para escola e creche, os dois estão na rua. Nas 11h30, nos dias de sol, as caixas já estão vazias. Na chuva, podem demorar até a 1h da tarde — mas ficam até acabar o estoque, sem exceção.
Tudo a pé. Sem carro. Com camiseta da marca que uma costureira está finalizando.
O produto e o diferencial
As empadas do Rei da Empada são feitas à noite, assadas de madrugada e vendidas quentinhas. O recheio passou por ajustes até chegar num padrão cremoso, simples e unânime entre os clientes. Mas Amanda é direta sobre o que realmente vende primeiro: “O nosso lema é nos vendermos primeiro — na boa conversa, no nosso vestir, na nossa aparência. Depois a empada.”
Alex aprendeu isso da pior forma: no começo, era tímido, chegava nos comércios e perguntava “quer comprar empada?” sem nenhuma conversa. Voltava para casa com metade da caixa. Com o tempo, entendeu que a abordagem precede o produto. Hoje o casal é referência pela alegria com que trata cada cliente — e até pelo “muito obrigado, Deus abençoe” que entregam quando a resposta é não.
Há quem tenha pedido para ver as mãos de Alex antes de comprar. Saiu de lá elogiando a higiene. Há quem tenha oferecido 3 reais por uma empada de 7. Saiu com um sorriso e uma benção também.
Dos momentos mais difíceis aos mais marcantes
A história do casal não é só de esforço bonito. Tem capítulos pesados. Grávida de Zaya Louise, a filha mais nova, Amanda acumulou trabalho, cuidados com a mãe enferma — que trata câncer de pele — e as pressões financeiras até desenvolver síndrome de burnout. Ficou em internamento domiciliar por meses. Alex abandonou o emprego em Araucária para cuidar dela 24 horas. Os médicos pediam internação em clínica psiquiátrica. Ele recusou. Ficou.
“Quão grande o amor desse homem”, diz Amanda, sem retórica. Ela se recuperou. E um mês e sete dias depois que Zaya nasceu, recebeu alta. Alex voltou para a rua. As dívidas esperavam. As empadas voltaram primeiro.
Hoje Zaya tem seis meses e está na creche. Há dois meses, o casal trabalha junto nas vendas pela primeira vez de forma plena. Em dois meses, vieram o nome, o adesivo, a camiseta, o fornecedor fixo, a parceria de panfletagem com o amigo Brian — e a matéria na A Tribuna Regional.
“Dar certo pra nós é acordar todo dia com gratidão a Deus por mais um dia de vida, poder fazer nosso melhor e levar nossas empadas para nossos queridos amigos”, define Amanda.
Sonhos com endereço
O plano é uma panificadora Rei da Empada — com empadas doces e salgadas, pães artesanais, bolos, cueca virada e tudo o que Amanda já produz manualmente por encomenda. Ainda não têm ponto físico, mas já têm clientela, marca e, agora, voz.
Faça seu pedido, experimente e siga o casal:
📱 WhatsApp: (41) 99845-4960 📸 Instagram: @reidaempada2 👍 Facebook: Rei Empada
Cardápio Empada salgada (frango / palmito / frango com palmito) | Empada doce de leite condensado: R$ 8,00 | Mini salgada: R$ 1,50 | Mini doce: R$ 2,50
Produção artesanal, feita à noite, assada de madrugada e entregue quentinha — todos os dias, a pé, pela Lapa.

