O homem dos 997 sabores comemora 20 anos

Wallakson Luciano Gomes transformou um carrinho de algodão doce numa marca conhecida em toda a região

Todo mundo em Lapa conhece o Wallakson. Quem não sabe o nome, sabe a voz. Quem não sabe a voz, sabe a máquina. E quem nunca provou o algodão doce dele — bem, esse ainda tem uma boa surpresa pela frente. Neste mês de maio, a Casa do Algodão Doce completa 20 anos. E o aniversário é tão dele quanto do negócio.

A história começou no dia 30 de abril de 2005, quando Wallakson saiu às ruas pela primeira vez com seu carrinho. As vendas foram bem desde o início — tão bem que, cinco dias depois, seu pai comprou a primeira máquina profissional. “Foi começado dia 1º de maio e aconteceu de eu vender bastante algodão doce”, lembra. O preço, naquela época: R$ 1,00 a unidade. O nome da empresa surgiu logo em seguida, quase por instinto: Casa do Algodão Doce.

O produto era o tradicional, sem sabor. Mas Wallakson não se contentou com o básico. Depois de dois anos e meio, soube que um primo em São Paulo fabricava corantes com sabor — e foi atrás. Hoje o cardápio oficial conta com mais de 150 sabores: framboesa, tutti-frutti, uva, melancia, leite ninho com Nutella e muitos outros. Na festa de Santo Antônio, ele vai além: prepara o sabor coxinha de farofa, uma criação que virou tradição no evento. A Tribuna Regional, por sua vez, conduziu investigação própria e chegou a um número diferente — 997 sabores. Wallakson não confirmou, mas também não negou.

Vinte anos não vieram sem tropeços. A pandemia parou as vendas. Uma legislação municipal proibiu a comercialização de algodão doce nas proximidades das escolas — onde ele chegava a vender 100 unidades por dia. O impacto foi direto: hoje, nos dias comuns, vende entre 10 e 20. Ele não baixou a cabeça. Entrou na Justiça para defender seu direito de trabalhar e segue na batalha, como ele mesmo define. “Queira que não queira, eu vou vender.”

E vende. A Casa do Algodão Doce hoje opera além da Lapa. Wallakson atende eventos em Contenda, Araucária, Fazenda Rio Grande, Curitiba e arredores. No verão, leva o carrinho até Guaratuba. Acrescentou a pipoca ao portfólio há cinco anos. É contratado por lojas, festas e eventos — e foi justamente assim que começou: o primeiro contrato foi com a loja Zarur, ainda no início dos anos 2000, seguida pela Montreal Calçados e pelo Mercado Barcelona.

Wallakson é presença garantida nas reuniões da Câmara Municipal, nos eventos da cidade, nas festas de rua. Baixinho, de voz fina e jeito cativante, virou um personagem lapeano no sentido mais genuíno da palavra — não porque se impôs, mas porque simplesmente nunca saiu de cena. “Todo mundo me conhece como o Alaxon do algodão doce”, diz, com a tranquilidade de quem sabe que o apelido já é patrimônio público.

Aos 20 anos de estrada, ele resume o que o negócio representa com a simplicidade de quem não precisa elaborar muito: “É a minha vida, a minha história.” E ainda tem Guaratuba no horizonte, novembro chegando, e provavelmente mais alguns sabores para inventar.

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