
Projeto de extensão mapeou políticas públicas locais, visitou o CRSL e levou o debate para a comunidade acadêmica em seminário realizado em maio
Sete acadêmicas do curso de Direito da UNIFAEL Lapa transformaram a disciplina de extensão em ação concreta: durante o primeiro semestre de 2026, elas pesquisaram como o município trata a reinserção de quem sai do sistema penal — e o que a sociedade e o setor empresarial têm a ver com isso. O resultado foi apresentado à comunidade no dia 14 de maio, em seminário realizado no polo da instituição, com público de 110 pessoas.
O grupo, orientado pela professora Charlane Aparecida Kowalski, foi até onde o problema existe de fato. Em 8 de maio, as alunas visitaram o Conselho da Comunidade da Comarca da Lapa e o Centro de Regime de Sistema Penal Semi-Aberto (CRSL), onde coletaram dados sobre egressos em transição penal — pessoas cumprindo pena em regime semiaberto, prestando serviços à comunidade ou em acompanhamento pós-cárcere.
O que encontraram não difere muito do que as estatísticas nacionais já revelam: o maior obstáculo à ressocialização não é falta de lei nem de programa — é o preconceito. A própria diretora do CRSL sinalizou que o estigma de ex-presidiário fecha portas antes mesmo de qualquer processo seletivo começar.
O projeto fez questão de separar dois conceitos que o senso comum costuma confundir. Ressocialização, explicaram as alunas no seminário, é o processo que acontece dentro do sistema prisional — educação, qualificação, disciplina. Reinserção é o que ocorre do lado de fora: emprego, moradia, família, acolhimento da comunidade. Um não garante o outro.
Para tornar o debate mais vivo, o grupo preparou duas dinâmicas interativas. Na primeira, duas plantas foram apresentadas ao público — uma saudável, outra seca — para ilustrar como o ambiente externo determina o desenvolvimento. Na segunda, um jogo de tabuleiro colocou os participantes no papel de egressos tentando alcançar a “Reinserção”: atitudes de respeito e empatia avançavam peças; preconceito e discriminação resultavam em penalidades. Balas identificadas como “bala da oportunidade” foram distribuídas à plateia.
O projeto também produziu cinco materiais informativos distribuídos à comunidade, incluindo um cartaz com incentivos fiscais disponíveis para empresas que contratam egressos — uma das apostas dos pesquisadores para aproximar o setor privado do problema.
Entre as recomendações levantadas pelo grupo — com base no mapeamento local e no referencial teórico — estão: ampliação de programas educacionais dentro das unidades prisionais, fortalecimento do acompanhamento pós-cárcere e investimento em equipes multidisciplinares com assistentes sociais, psicólogos e pedagogos.
As integrantes do projeto são Ana Júlia Neumann, Betina Spancerski Batista, Cynthia Ramin, Elisama Cristine Morais Oliveira, Janaina Buna de Mello, Sabrina Markowicz Gurski e Silvana Gritten Ramos — todas do 4º período de Direito.

