Moro mantém folga de mais de 20 pontos na corrida ao governo do Paraná, mas Sandro Alex começa a reagir

Pesquisas de cinco institutos mostram senador na liderança isolada desde março; candidato de Ratinho Junior sobe aos poucos, enquanto Greca perde fôlego às vésperas das convenções

A disputa pelo governo do Paraná começou a tomar forma nas últimas semanas, com quatro partidos oficializando candidaturas entre julho e o início de agosto. Nenhuma pesquisa registrada na Justiça Eleitoral, porém, tirou o senador Sergio Moro (PL) da primeira posição desde que os institutos começaram a testar cenários, em março. A mais recente, divulgada pela Genial/Quaest nesta segunda-feira (27), mantém o padrão: Moro tem 39% das intenções de voto, 21 pontos à frente do deputado estadual Requião Filho (PDT), que aparece com 18% (pesquisa registrada na Justiça Eleitoral sob o nº PR-04818/2026, 1.104 entrevistas presenciais entre 21 e 25 de julho, margem de erro de 3 pontos percentuais, contratada pela Genial Investimentos).

Os nomes na disputa

Além de Moro e Requião Filho, cinco nomes disputam o Palácio Iguaçu: o deputado federal Sandro Alex (PSD), oficializado em convenção no dia 25 de julho como candidato do grupo do governador Ratinho Junior; o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca, que deixou o PSD e migrou para o MDB para viabilizar a própria candidatura; o advogado Luiz França (Missão) e o empresário Tony Garcia (DC). Ratinho Junior, que está no segundo mandato e não pode concorrer à reeleição, chegou a se colocar como pré-candidato à Presidência da República, mas desistiu da disputa nacional para se dedicar à escolha do sucessor no Estado — decisão que só veio depois de meses de indefinição, período em que Greca e o presidente da Assembleia, Alexandre Curi, deixaram o PSD por não quererem esperar mais.

A coligação de Sandro Alex reúne o PSD e o apoio formal de Republicanos, da Federação União Progressista (União Brasil e Progressistas) e da Federação PSDB-Cidadania.

Moro: liderança estável, rejeição que não sai do lugar

Em todos os institutos e em todos os meses, Moro nunca ficou abaixo de 35% nos cenários estimulados mais amplos:

InstitutoMêsMoroRegistro TSE
Paraná PesquisasMarço44,0%PR-06254/2026
IRGMarço40,8% a 43,7%PR-02737/2026
IRGMaio39,4%PR-06178/2026
QuaestAbril35%PR-02588/2026
Vox BrasilJunho/Julho39,6%PR-09668/2026
IRGJulho37,4%PR-03191/2026
QuaestJulho39%PR-04818/2026

A variação é pequena e, na leitura mais recente do IRG (29/07), Moro recuou 0,8 ponto em relação a junho — a única queda mais nítida do senador na série. Já na Quaest, o movimento foi inverso: ele subiu de 35% em abril para 39% em julho. A rejeição, no entanto, não cede: 34% dos entrevistados pela Quaest dizem que não votariam nele “de jeito nenhum”, praticamente o mesmo patamar de abril.

Requião Filho: segunda posição estável, mas rejeição alta

Requião Filho ocupa a segunda colocação em todas as pesquisas, oscilando entre 18% e 26%, mas carrega a maior rejeição entre os concorrentes — 47% na Quaest de julho, a pior marca do levantamento. A campanha do deputado aposta no apoio do presidente Lula: em cenário com “padrinhos” testado pelo IRG em maio, Requião vinculado a Lula chegou a 20,5%, ante 18,1% na simulação sem menção a apoios.

Sandro Alex: a candidatura que cresce com o nome de Ratinho junto

Sandro Alex é o caso mais chamativo da série. Sozinho, sem menção ao apoio do governador, ele nunca passou de 8% em nenhum instituto — inclusive na Quaest mais recente, com 7%. Mas quando os institutos testam o cenário associando-o a Ratinho Junior, o quadro muda bastante: 12,3% em maio, 14,4% em junho e 16,5% em julho no IRG — alta acumulada de 4,2 pontos em três meses, a maior variação positiva entre os pré-candidatos no período. Em simulação de segundo turno com apoio declarado de Ratinho, chegou a ficar tecnicamente empatado com Moro (43,2% a 38,1%, IRG de maio). Sem esse reforço, a distância volta a se abrir: na Quaest, Moro venceria Sandro por 50% a 18% num eventual segundo turno.

Rafael Greca: o que mais perdeu terreno recentemente

Depois de rondar a faixa de 17% a 19,7% entre março e julho na Vox Brasil e no IRG, Greca caiu para 11,1% na leitura de julho do IRG e para 12% na Quaest do fim do mês — a queda mais evidente de qualquer candidato na reta final antes das convenções. Ele segue como o nome mais forte na Região Metropolitana de Curitiba, onde lidera as intenções de voto segundo a Vox Brasil, mas perde fôlego no restante do Estado.

Quadro comparativo (cenário estimulado mais amplo de cada pesquisa)

InstitutoDataMoroRequiãoGrecaSandro AlexRegistro TSE
Paraná PesquisasMar/2644,0%23,1%PR-06254/2026
IRGMar/2640,8%–43,7%18,0%–19,7%19,7%PR-02737/2026
QuaestAbr/2635%18%15%5%PR-02588/2026
IRGMai/2639,4%18,1%14,7%12,3%PR-06178/2026
Vox BrasilJun/Jul-2639,6%20,8%17,8%5,0%PR-09668/2026
IRGJul/2637,4%19,1%11,1%16,5%PR-03191/2026
QuaestJul/2639%18%12%7%PR-04818/2026

O que vem a seguir

Moro chega à convenção de 1º de agosto como candidato praticamente selado — falta só o registro da ata partidária. Já o cenário de Greca virou incerto nas últimas 48 horas: articulações em curso podem levá-lo a abrir mão da candidatura própria para compor a chapa de Sandro Alex como vice, o que muda o desenho da corrida antes mesmo da convenção do MDB, marcada para 2 de agosto (ver box). Enquanto isso, 64% dos eleitores ouvidos pela Quaest dizem que o voto ainda pode mudar até outubro, ante 35% que já têm decisão tomada. A disputa pela segunda vaga no segundo turno — hoje nas mãos de Requião, mas cobiçada por Sandro Alex e um Greca que pode nem estar mais na disputa principal — deve ser o centro da campanha nos próximos meses.

BASTIDORES — Greca aceita ser vice de Sandro Alex? Enquanto os números de pesquisa mostravam Greca perdendo fôlego, a articulação nos bastidores tomava outro rumo. Na noite de terça-feira (28), Ratinho Junior e o vice-governador Darci Piana foram pessoalmente à casa do ex-prefeito de Curitiba propor a ele a vaga de vice na chapa de Sandro Alex (PSD) — encontro que teria se repetido na noite seguinte, com as conversas avançando. Ainda sem confirmação oficial, mas fontes ouvidas por diferentes veículos paranaenses indicam que Greca teria concluído que o MDB não reúne estrutura para sustentar uma candidatura própria competitiva ao Palácio Iguaçu. Faltam alinhar dois pontos: o espaço do ex-senador Álvaro Dias, cotado a uma vaga ao Senado, e o efeito da mudança sobre a vaga já reservada a Cristina Graeml na chapa. A definição deve sair antes da convenção do MDB, marcada para 2 de agosto.

Ficha técnica das pesquisas citadas

  • Paraná Pesquisas (1º a 4/03/2026): 1.500 entrevistas presenciais em 55 municípios; margem de erro de 2,6 p.p.; confiança de 95%; registro TSE nº PR-06254/2026.
  • IRG Pesquisas (13 a 18/03/2026): 1.000 entrevistas telefônicas; margem de erro de 3,1 p.p.; confiança de 95%; contratada pelo próprio instituto; registro TSE nº PR-02737/2026.
  • Genial/Quaest (11 a 14/04/2026): 1.600 entrevistas presenciais; margem de erro de 2,5 p.p.; confiança de 95%; contratada pela Genial Investimentos; registro TSE nº PR-02588/2026.
  • IRG Pesquisas (16 a 20/05/2026): 1.000 entrevistas telefônicas; margem de erro de 3,1 p.p.; confiança de 95%; contratada pelo próprio instituto; registro TSE nº PR-06178/2026.
  • Vox Brasil (29/06 a 01/07/2026): 2.000 entrevistas; margem de erro de 2,2 p.p.; confiança de 95%; registro TSE nº PR-09668/2026.
  • Bem Paraná/IRG Pesquisas (24 a 28/07/2026): 1.200 entrevistas telefônicas; margem de erro de 2,83 p.p.; confiança de 95%; registro TSE nº PR-03191/2026.
  • Genial/Quaest (21 a 25/07/2026): 1.104 entrevistas presenciais; margem de erro de 3 p.p.; confiança de 95%; contratada pela Genial Investimentos; registro TSE nº PR-04818/2026.