No terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, o Brasil presencia um governo que parece cada vez mais desconectado da realidade das ruas. O presidente, que voltou ao poder com a promessa de unir o país, reerguer a economia e garantir justiça social, hoje é alvo de críticas crescentes que vão além da oposição tradicional. A percepção é de que Lula perdeu a mão — e talvez também o senso — sobre o Brasil real.
A rejeição crescente nas pesquisas é um sintoma claro disso. Segundo levantamento recente do Datafolha (junho de 2025), apenas 28% da população aprova o governo, enquanto 40% o rejeita. A pesquisa CNT/MDA aponta que a reprovação saltou de 31% para 44% em poucos meses. O desgaste é ainda maior entre evangélicos e moradores das periferias, grupos que foram decisivos em eleições passadas. A base eleitoral de Lula se esgarça rapidamente, com o Nordeste dando os primeiros sinais de impaciência.
Parte dessa decepção se explica pelo cotidiano difícil da população. A inflação, embora controlada tecnicamente, não se traduz em alívio no bolso: alimentos, combustíveis e tarifas públicas continuam pesando. O presidente, entretanto, insiste em discursos triunfalistas fora do país, como se os brasileiros vivessem em outra realidade. A maioria das famílias segue sem sentir os efeitos prometidos da “volta da prosperidade”.
Mais preocupante que a economia, no entanto, é a instabilidade política que Lula transmite. O governo coleciona derrotas no Congresso — da CPI do MST ao Marco Temporal, passando pela desidratação de medidas centrais como o novo marco do saneamento. A base aliada se mostra frágil e oportunista: apenas 69% dos votos em pautas-chave vêm de deputados considerados governistas, segundo levantamento da XP. Uma coalizão de ocasião, sem compromisso programático real, deixa o governo refém de barganhas.
Em vez de governar com foco, Lula prefere criar cortinas de fumaça. Entre viagens internacionais e falas fora de tom, o presidente insiste em manter o protagonismo pessoal, mesmo quando o momento exigiria um gestor sóbrio e atento. Ao minimizar problemas, ironizar críticas e atacar adversários como se ainda estivesse em palanque, ele contribui para a sensação de que o país está à deriva.
A condução da comunicação institucional também é um desastre à parte. Sem alinhamento entre ministérios, com ministros que se atropelam ou se contradizem, o Planalto parece incapaz de estabelecer uma narrativa coerente. Promessas de campanha — como retomada da reforma agrária, reconstrução do sistema educacional e melhora dos serviços públicos — estão paradas ou esquecidas. A sensação de estagnação virou um sentimento coletivo.
Essa desconexão entre o discurso oficial e o Brasil profundo é o que mais preocupa. Lula parece viver numa bolha ideológica e diplomática, onde o que importa é agradar a plateias estrangeiras ou militantes cativos. Enquanto isso, o brasileiro comum enfrenta filas no SUS, falta de segurança, desemprego disfarçado de “informalidade” e uma política habitacional que não saiu do PowerPoint. É como se houvesse dois países — e o presidente habita apenas um deles.
Não se trata de um deslize pontual. A impressão generalizada é de que Lula não compreende mais o tempo em que governa. Há um abismo entre sua retórica e a prática de governo. A arrogância com que trata alertas e a falta de autocrítica agravam o problema. Em vez de ouvir, o presidente reage com ironia e deboche. Mas o povo não está mais disposto a rir.
Lula está perdido. E o Brasil paga o preço por essa ausência de comando real. O país precisa de um presidente presente, consciente e disposto a corrigir rumos. Por ora, o que se vê é um líder envelhecido politicamente, cercado por um governo paralisado e uma população cada vez mais impaciente. Não é apenas a oposição que cobra respostas — é a realidade que grita, e Lula parece não escutar.

