O recado do Paraná: menos discurso, mais entrega

Olha, se você ainda acredita que o Paraná é só terra de chimarrão, pinhão e tempo indeciso, é bom rever seus conceitos. Porque o paranaense deu uma aula de pragmatismo político na pesquisa do Instituto Futura — daquelas que fazem gabinete virar sauna, mesmo com ar-condicionado no talo. Em pleno 2025, enquanto o Planalto vive de passado e palavrório, o povo daqui parece decidido a mirar o retrovisor só pra ultrapassar quem ficou parado no acostamento da história.

Vamos direto ao ponto: Ratinho Junior, com seus 72,2% no segundo turno contra Lula, não só venceu — ele atropelou. E Lula, com seus 17,4%, não apenas perdeu — ele evaporou. É como se a urna dissesse: “Desculpa, companheiro, mas seu tempo passou e o relógio não atrasa por saudade.” A distância entre os dois é tão grande que nem o VAR da política conseguiria dizer que foi um jogo justo.

O mais curioso é ver Lula insistindo na retórica de união enquanto semeia divisão, como quem diz “paz e amor” com uma mão e assina cargos com a outra. O Paraná, que sempre teve um pé na eficiência e outro na desconfiança, está deixando claro: não basta discursar bonito, tem que entregar concreto — no literal e no figurado. E Ratinho, com sua gestão silenciosa, vai empilhando asfalto enquanto Brasília empilha narrativas.

Agora, se a coisa já estava feia para Lula no segundo turno, no primeiro parece jogo de W.O.: Ratinho com 51,9%, Lula com 16,9%. A gente pode até rir (de nervoso), mas a pergunta é séria: o presidente ainda se enxerga competitivo ou já está torcendo para o Alckmin herdar a bucha em 2026? Porque até nas simulações com o vice, o cenário melhora. Não muito, mas o suficiente para mostrar que o problema tem nome, CPF e três mandatos nas costas.

E não, não é só ideologia ou ranço do Sul. O que a pesquisa mostra é algo maior: uma fadiga com a falta de entrega. O Sul cansou de ser plateia em palanque alheio. Ratinho Junior, com seu sotaque do interior e obra no chão, virou símbolo de uma gestão que conversa mais com a realidade do que com hashtags. E isso, convenhamos, anda em falta.

O eleitor paranaense está dizendo algo que Brasília não quer ouvir: chega de narrativa, queremos resultado. Não adianta acusar o agro, a soja ou o chimarrão. O fracasso de Lula aqui tem CPF político, e o povo está conferindo extrato — sem saldo, sem crédito. A popularidade do presidente virou ação de risco, e quem ainda aposta nela parece jogar na Bolsa da Ilusão.

No fim das contas, o que essa pesquisa escancara é simples: o eleitor cansou do discurso reciclado. Quer gestão, quer presente — não presente de grego, mas presente de agora, de concreto. E se Lula quiser continuar sonhando com reeleição, vai ter que acordar antes que seja tarde demais. Porque o Paraná já acordou — e deu um recado que ecoa: aqui, papo furado não vale voto.

E se alguém em Brasília ainda duvida, é só olhar os números. Porque, no Paraná, o rei está nu — e, pra piorar, sem projeto de costura.

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Aramis José Gorniski


Entre em contato com Aramis José Gorniski: aramizinho@gmail.com