Você já reparou como tem político que confunde diálogo com briga de bar? Pois é. No Paraná, ninguém personifica melhor essa “habilidade” do que o deputado estadual Renato Freitas, do PT. O sujeito parece ter feito um curso intensivo em como transformar qualquer troca de ideia em confronto — e nem sempre só verbal. A política, que deveria ser o terreno da conversa difícil, vira espetáculo de rispidez, grosseria e nariz quebrado.
E não é exagero. Basta puxar o histórico: treta na rua com manobrista, acusações de agressões verbais, confusão em supermercado, suspensão na Assembleia… Renato Freitas coleciona confusões como quem coleciona figurinhas repetidas. E o que chama atenção nem é a polêmica em si — afinal, política e polêmica são vizinhas íntimas — mas a incapacidade gritante de transformar conflitos em conversa. O diálogo, aquele velho amigo da democracia, vira baixa no caminho.
Quando surge uma crítica, ele responde no grito. Quando há discordância, vira acusação. Quando aparece um vídeo, é sempre “editado”. E aí você pensa: será que ser parlamentar não exige, pelo menos, um tiquinho de educação, calma e capacidade de escutar? Porque a gente sabe que a política não é uma roda de chá, mas também não precisa ser UFC.
E é curioso como, bem no meio desse furacão, volta à tona aquela frase tão citada e tão mal atribuída a Voltaire — na verdade escrita por Evelyn Beatrice Hall. Você conhece: “Posso não concordar com o que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo.” Uma obra-prima da democracia. Um lembrete de que liberdade de expressão não serve só para proteger quem fala bonito e age com compostura. Ela protege justamente quem nos irrita, nos desagrada, nos tira do sério.
E, convenhamos, é aí que a coisa pega. Porque discordar de Renato Freitas é fácil. Difícil é lembrar que, por mais que achemos seu comportamento desastroso, ele ainda representa um pedaço da sociedade. Um pedaço barulhento, combativo, às vezes intempestivo — mas real, existente e, gostemos ou não, legítimo. Democracia é esse pacote completo: inclui quem inspira e inclui quem constrange.
Então sim: achamos que Renato Freitas falta com respeito, com postura e com bom senso. Achamos que ele confunde mandato com palco e debate com porrada. Achamos que seu comportamento não combina com a função que exerce. Mas — e esse “mas” é do tamanho da Alep — também defendemos o direito dele existir politicamente, falar, errar, se explicar e, com sorte, aprender. Porque silenciar alguém porque não gostamos dele é tão autoritário quanto o comportamento que criticamos.
No fim das contas, a pergunta fica no ar: como equilibrar o direito de falar com a responsabilidade de representar? Talvez seja hora de olhar pra isso com mais calma. E você, o que acha?

