SALMOS 

Sl 57 – Ainda que não substitua o texto em si, vamos à introdução, com vistas à interpretação e explicação contextualizada e atualizada, cristologicamente, dos Salmos, que têm em vista o conhecimento e a glória de Deus, em aroma suave, mediante Jesus Cristo. E nEle, na unidade do Espírito Santo, de fé em fé, edificação luteradora das consciências pávidas, exortação de soberbos e empedernidos, e consolo necessário, profícuo, ubérrimo dos corações atribulados.

O Salmo 57 é uma oração súplica veemente. Nele Davi lamenta a Deus, o SENHOR, a ação do rei Saul e seus servos – para os quais a Palavra de Deus e a fé em Cristo não são importantes –, que atentam contra a sua vida e fé. Por causa deles, já que furiosamente se enfureceram e tomaram conselhos juntos, ele precisa fugir e proteger-se, e é obrigado a viver em caverna, se ocultando para não ser achado e morto. Davi precisa viver com se Deus não se importasse com ele, mesmo sendo dEle. Ademais, o Salmo é praticamente do mesmo conteúdo do anterior: o que foi tornado fugitivo se coloca sob a proteção e a segurança do poder divino, da presença do Deus vivo. Davi agradece a Deus porque Ele não abandona e nem sequer esquece quem é dEle, e nEle crê. Quando Davi não vê a luz da face de Deus, é bênção se esconder sob a sombra das Suas asas. Deus, ainda que, por vezes oculto, é o SENHOR da história. Ele se importa com quem tem e é pela Palavra e pela fé. Ele faz com que as pessoas cuja ação é malíflua caiam e sucumbam na própria maldade, mais dias menos dias. Quem quer destruir Davi se autodestrói nas próprias ciladas autojustificadas. Por isso mesmo, bendito seja Deus, pois as calamidades são questão de tempo, mas a segurança no SENHOR, por fé, é questão de eternidade.

A certeza da fé de Davi é que Deus, apesar de, dos céus, lhe envia o Seu auxílio e o livra, não em virtude de seus méritos, dignidades, boas obras, mas, sim, por Sua benignidade. Razão pela qual Davi rende a Deus louvor. Ademais, fato é que Deus, que responsabiliza por causa do pecado e dos pecados autojustificados, cobre de vergonha Saul e seus servos lacaios, já que, de modo algum, se penitenciam. Eles, em verdade, sem apoio na Palavra e na fé, tocaram num servo de Deus. E é Ele, o Deus vivo e verdadeiro, quem agracia, não obstante, a Davi, com misericórdia e fidelidade – as quais ninguém consegue se autoalcançar e nem mesmo autoimputar. A presença do sofrimento e a ação má não vão prevalecer sobre e nem contra Davi, um ungido e servo do Deus Altíssimo, que destrona poderosos autoindulgentes. Ele, apesar de, será preservado em vida, em ação monoagente, pelo próprio Deus, o SENHOR, porque o Salvador nasceria dos judeus. E Davi, por vontade divina, seria feito estar na genealogia da semente bendita do Prometido, que haveria de abençoar todos os povos da Terra, via Palavra e fé nEle. Enfim, se Deus, hoje, apesar dos ataques dos inimigos espirituais, é presente com misericórdia e fidelidade, quem, sim, quem poderá impedir que tal pessoa estaja entre a gente salva e herdeira da vida eterna? Ou nas palavras do apóstolo Paulo, em submissão à vontade de Deus: “Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura, não nos dará graciosamente com ele todas as coisas? Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós. Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? Como está escrito: Por amor de ti, somos entregues à morte o dia todo, fomos considerados como ovelhas para o matadouro. Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” – Rm 8.31b.-39.

No título do Salmo está escrito: “Al-Tachete”: “Não destruas” – Sl 58, 59, 75 –, por causa da promessa alusiva a Cristo, que, segundo a carne, haveria de ser feito nascer dos judeus. Esta petição é oração cristológica tão intensamente judiciosa quanto breve. Pois, em última análise, somente Deus, em monoagência, apesar dos inimigos espirituais, em ação melíflua e melíflua, presente na gente de ‘possessa’, vela para que a Sua promessa se cumpra, invariavelmente.

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Pastor Airton Hermann Loeve

Pastor Airton Hermann Loeve – Igreja Evangélica da Confissão Luterana no Brasil (IECLB) – Lapa/PR.
Entre em contato com Pastor Airton Hermann Loeve: pastor.air.ton@hotmail.com