Sl 80 – Ainda que não substitua o texto em si, vamos à introdução, com vistas à interpretação e explicação contextualizada e atualizada, cristologicamente, dos Salmos, que têm em vista o conhecimento e a glória de Deus, em aroma suave, mediante Jesus Cristo. E nEle, na unidade do Espírito Santo, de fé em fé, edificação luteradora das consciências pávidas, exortação de soberbos e empedernidos, e consolo necessário, profícuo, ubérrimo dos corações atribulados.
O Salmo oitenta é um Salmo de oração contra os inimigos que, próximos – como vizinhos –, diariamente, guerreando contra, importunam e molestam o Povo de Deus, como temos exemplificado nos filisteus, sírios, moabitas, edomitas, entre outros, que, tentam, como mundo hostil, impedir que o Cristo seja nascido dos judeus, segundo a carne, em cumprimento da promessa divina. Eles agem de modo semelhante como procedem os inimigos do Povo de Deus, no Novo Testamento. Eles são aparentemente piedosos e crentes porque neles age outro espírito, outra palavra, outra fé. E têm outro ministério – o da justificação pelas obras e justiça da lei – que os faz brilhar, muito, na aparência, contudo, o coração é péssimo diante de Deus, porque Cristo de nada lhes aproveita. Sim, não têm o Espírito Santo, que age de modo mediado, ativo em si, em amor à pessoa próxima. Eles doutrinando a inspiração interna antes ou à parte da mediação externa da Palavra, de todos os modos possíveis, estabelecem novos artigos de fé, sem amparo no ministério da reconciliação. E eles, mesmo sem amparo na Palavra de Deus, ainda assim querem que sejam válidos e observados pelo da Palavra, como se fossem necessários à salvação. Por isso mesmo, com razão, se assevera são gente inimiga cuja fé, teologia, culto, piedade são autoinventadas. Eles se autocreem, autoensinam, autoconfessam, autoapresentam integrantes do rebanho de Deus; são sectários e se autofazem mestres, pregadores, ensinadores que querem exercer autoridade sobre as consciências, lançando-se sobre o ministério da Palavra e Meios da graça de Deus, como se ele estive entregue aos nossos caprichos. Em suma: tanto os primeiros quanto os últimos tentam erradicar o povo da Palavra e da Fé, por palavras e obras, sob um manto de justiça e legalidade, ‘aplaudida’ pela gente religiosamente massificada e de consciências enlatadas, como se matar e exterminar o povo crente no Cristo vindou, no Antigo, e no Cristo já já presente vindouro, fosse uma boa obra agradável a Deus Pai.
O prover de Deus é quisto e digno de louvor e exultação. E o vivificar se dá por meio da Palavra quando o próprio Deus, mediante a ação do Espírito, internamente, fortalece o Seu povo, que nEle crê, quando é atacado. A ação da gente inimiga de Deus e do Seu Povo é mortífera e impiedosa. Se Deus não sustenta e nem mantém em vida, a morte é segura e certa. “E invocaremos o Teu nome” significa uma ação fruto da fé, possibilitada como consequência do vivificar divino, que vem antes. Pois, se a pessoa piedosa, em seus pensamentos, se verifica cativa à certeza de presença divina, apesar de, então, isto, logo logo se expressa em palavras que invocam a Deus, o SENHOR, na apertura ou na necessidade que se estabeleceu, gratuita.
O propósito do Salmo 80 é bastante claro, salmodiado no espírito da profecia alusiva a Cristo e Seu reino, que haveriam de padecer desprezo, rejeição, blasfêmia, injúria. Israel, antes do cumprimento da promessa, clama a Deus por ajuda em seu infortúnio: os inimigos externos e internos agem juntos querendo impedir o cumprimento da promessa alusiva a Cristo. Podemos, portanto, reconhecer facilmente a razão do título: “Os lírios”. Somente em virtude da ação monoagente de Deus a promessa alusiva a Cristo se cumprirá, apesar de. O terceiro versículo descreve a história de Israel sob a imagem de uma videira (Isaías 5 e 27; Jeremias 2.21; 42.10; Ezequiel 17.5 ss.; Gênesis 49.22), que ficava no Egito, foi transplantada pelo SENHOR para Canaã e se espalhou exuberantemente. As hipérboles cristológicas fazem parte do acordo: os ramos são tão poderosos quanto os cedros e estendem-se do Mediterrâneo até ao Eufrates, a bem de ouvintes crentes e de coração piedoso, nos três estamentos.

