Sl 81 – Ainda que não substitua o texto em si, vamos à introdução, com vistas à interpretação e explicação contextualizada e atualizada, cristologicamente, dos Salmos, que têm em vista o conhecimento e a glória de Deus, em aroma suave, mediante Jesus Cristo. E nEle, na unidade do Espírito Santo, de fé em fé, edificação luteradora das consciências pávidas, exortação de soberbos e empedernidos, e consolo necessário, profícuo, ubérrimo dos corações atribulados.
O Salmo 81 é um Salmo de oração e um hino inspirado e escrito para ser cantado e pregado em honra, glória e louvor ao Deus Criador, no tempo da colheita, conscientizando e notificando à fé, ao modo do primeiro Mandamento de Deus, cuja introdução é: Eu sou o SENHOR, o teu Deus. Ele, Deus, o SENHOR, que também, sem participação, méritos, dignidades, sabedoria humana foi buscar e libertar o povo de Israel do Egito. Assim, o conteúdo do Salmo, apontando para o Deus Criador e Libertador e Santificador, nos prega e ensina a que não tenhamos e nem busquemos e nem sequer invoquemos outro deus, a não ser, somente, a Ele, cuja presença favorável transcende todo o inteligir e raciocinar. Historiado é que o povo de Deus, no geral, não temeu, nem amou e nem sequer confiou em Deus, o SENHOR, acima de tudo, de todas as coisas, de todas as pessoas. Antes, a sua boca e ensino continham idolatria, em especial quando deram fé ao estômago e se deixaram guiar pela vista, razão e inteligência, ausentes de justiça original. Reconhecendo o pecado e confessando pecados, na verdade a Sua boca deveria estar cheia de fé, ensino, confissão que promove e aponta somente para Deus e Sua Palavra, por causa de Cristo. Porque é dEle, cuja vontade é boa e misericordiosa, e da Sua Palavra, cujo centro é Cristo, que a boca deveria e deve estar cheia. Porquanto central no todo da Criação, da Vida, da Salvação é Cristo, Seu Evangelho, o Espírito, a graça divina, a fé. Se queremos ser gente salva, é necessário crer em Cristo e se apegar, somente, a Ele, em oposição aos inimigos espirituais. E, nunca, jamais, buscar e nem sequer exaltar as obras como meios de justificação diante de Deus Pai, que só pode ser reconciliado por Cristo, a segunda Pessoa da Trindade. Para nosso consolo, alegria e felicidade é necessário que a nossa boca transborde de fé, ensino, confissão cristocêntrica. O problema é que o coração não regenerado e nem sequer transluzido pela Palavra e pela fé insiste em sua palavra autojustificada e fé autoescolhida. E isto também suscita angústia, não louvor e glória.
Deus é vivo, real, presente; Ele ouve, escuta e responde orações, segundo, do modo, na hora e conforme Lhe apraz. E porque isto é assim, em nosso bem, vivamos como gente que crê e ora, ora e crê. Se já é consolador confiar, firmemente, que Deus livra e salva das angústias que advêm dos inimigos externos, muito, indizivelmente mais consolador é confiar que Deus livra e salva das angústias que advêm da presença e ação dos inimigos internos. Que nós conscientizados, via Palavra, da história dos filhos de Israel, que frequentemente decaiu da Palavra e Fé, não cobicemos as cousas más. E uma e principal é não crer em Deus via Cristo.
Por natureza, nós deixamos o Pai e o Filho e o Espírito Santo pregar em vão. E, distantes do Povo da Palavra e da fé, o velho Adão e a velha Eva inventam suas próprias pregações e doutrina, contra tal vida e fé salmodia o salmista. E então acontece o que diz o Salmo 81.11s.: “Meu povo não obedece a minha voz, portanto os abandonos aos desejos de seu coração.” É daí que procedem as espiritualitas maravilhosas etelothreskiae e aphidiae de Colossenses 2.23: a espiritualidade sem Palavra e o trato desapiedado do corpo, suicidando-nos a nós mesmos, quando Deus ordenou que se deve cuidar do corpo e não matá-lo, abandonando a doutrina dos profetas e apóstolos, que exercem o ministério de modo puro e legítimo. Claro: Deus, ouve, livra, liberta. Entretanto, como verificamos na história do povo de Israel, a incredulidade desgraçadamente insiste em responder ao agir favorável de Deus, com desconfiança, murmuração, rebelião. Grande é o nosso pecado, maior é a misericórdia de Deus. Ainda bem!

