SALMOS

Sl 82 – Ainda que não substitua o texto em si, vamos à introdução, com vistas à interpretação e explicação contextualizada e atualizada, cristologicamente, dos Salmos, que têm em vista o conhecimento e a glória de Deus, em aroma suave, mediante Jesus Cristo. E nEle, na unidade do Espírito Santo, de fé em fé, edificação luteradora das consciências pávidas, exortação de soberbos e empedernidos, e consolo necessário, profícuo, ubérrimo dos corações atribulados.

O presente Salmo salmodia que agrada a Deus que nós vivamos por fé, a que é rara. E quando somos feitos peregrinar por fé, por ação do Espírito Santo, de fora, internamente, a nossa vida será uma constante oração junto a Deus Pai, mediante Jesus Cristo, que faz justiça e é justo, em favor das pessoas semelhantes no conjunto da Criação, que não é mais paradisíaca.

A oração a Deus é muito mais eficiente do que as armas, o poder tirânico, a força ditatorial, a capacidade humana endeusada, por mais angelical que ela brilhe na aparência. O salmodiar do salmista predica que é preciso sim increpar a injustiça. Pois, quantas e quantas vezes, não discernindo e nem separando, corretamente, Igreja e Estado, pessoas do povo de Deus, que deveriam exercer de modo puro e correto o ministério da Palavra, foram abusivas, em sua posição de poder e autoridade, inclusive excomungando e expulsando para onde e a quem quisessem, sem qualquer oposição ou resistência. O abuso de poder e autoridade é sempre malífluo. Não importa se da parte do estamento eclesial ou da parte do estamento secular autodivinizado. E, muitas vezes, o que se denuncia e condena no presente Salmo, quem detinha o poder no estamento eclesial, não tolerava legítimas e necessárias censuras. E por isso mesmo gigantes tiranos no estamento espiritual, para não perder os seus privilégios, se valiam e conclamavam a autoridade mundana em sua defesa, sufocando iniciativas legítimas.

No versículo três, por exemplo, os conceitos “aflito e desamparado” se referem às pessoas justas que foram feitas tais, porque perseveram na Palavra e na fé em Cristo, com boca e coração. A autoridade secular pode, fora do seu ofício e incumbência, gerar muita gente fraca e órfã. Sobremodo mais, perdidos os fundamentos, a autoridade espiritual autojustificada em conluio com a secular, quando não admite crítica e censura ao seu pecado. Eis porque o salmodiar do salmista nos conscientiza de que é inenarrável como autoridades espirituais podem ser e vir a ser tiranas, ditatoriais, abusivas quando e se elas se autoendeusam em sua fé, teologia, culto, piedade autoinventada, infestada de confissão de pecados genérica. E quando elas assim se portam, quem pode historiar com suficiência as suas diabruras mortífero-infernais que são capazes de praticar, basta haver oportunidade? O espírito do texto é: ore a Deus no sentido de que Ele intervenha em favor da pessoa aflita e desamparada, fazendo justiça, já que ninguém há que possa e queira acudir, socorrer, pôr fim à ‘roda do mal’ que faz vítimas, em virtude da inveja, ódio, injustiça, mas sobretudo por causa da soberba, da prepotência, da altivez, da tolice de gente autoindulgente com o seu pecado, que tenta pôr fim, silenciar, erradicar a Palavra de Deus que liberta e salva gente pecadora, por graça e fé, do pecado, do diabo, da morte, de todo mal. Aliás, poucas são as pessoas que ficam com a próxima injustiçada e excruciada, procedendo retamente, sem medo da cruz e nem da retaliação. Por natureza, o ser humano tenta não se envolver: não fica em morte e dor com quem é feito aflito e desamparado. Contudo, Deus e a fé na Palavra fazem com que a pessoa ore e aja responsavelmente, pensando: ainda que eu sofra injustiça, assim como as pessoas servas do SENHOR, não deixarei de pregar, confessar, testemunhar, com clareza e pureza, o artigo principal da salvação: o da justiça da fé em Cristo. Amém. E não vou ser leviano em relação à iniquidade dos ímpios e nem fazer vista grossa para o mal que se comete. Pois é o Evangelho, poder de Deus, discernindo e separando corretamente cada estamento, que beneficia o povo e a nação, por meio de ouvintes crentes, ‘herança das nações’, que não vageiam nas trevas e nem abusam da graça divina e nem da liberdade cristã. Porque perdido Cristo e o Evangelho, as pessoas santas, no conjunto da Criação, padecem injustiças – e muitas! E, não raro, tudo tem início quando impiamente se prega a Cristo sem Cristo.

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Pastor Airton Hermann Loeve

Pastor Airton Hermann Loeve – Igreja Evangélica da Confissão Luterana no Brasil (IECLB) – Lapa/PR.
Entre em contato com Pastor Airton Hermann Loeve: pastor.air.ton@hotmail.com