Salmos

Sl 83 – Ainda que não substitua o texto em si, vamos à introdução, com vistas à interpretação e explicação contextualizada e atualizada, cristologicamente, dos Salmos, que têm em vista o conhecimento e a glória de Deus, em aroma suave, mediante Jesus Cristo. E nEle, na unidade do Espírito Santo, de fé em fé, edificação luteradora das consciências pávidas, exortação de soberbos e empedernidos, e consolo necessário, profícuo, ubérrimo dos corações atribulados.

O Salmo 83 é um Salmo súplice. As nações inimigas de Deus e do povo da Fé, como lobos em vestes de ovelha, intuem que se abandone a Palavra e a fé. Sim, que, injuriando a Cristo, venha a crer que é possível se autorreconciliar com Deus via obras. Inimigos de Deus e do Seu povo ensinam e confessam tentando reconduzir à incredulidade. Eles chamam de fruto do Evangelho o que eles mesmos sonham e predicam em oposição à justificação por graça divina mediante a fé em Jesus Cristo. Aliás, em suma: se gloriam de terem o mesmo ministério, a mesma Escritura e o mesmo Deus que têm os outros povos, que não são e nem se fizeram inimigas de Deus, descrendo a promessa alusiva ao Remidor. É compreensível que o salmista, fiel à Palavra, sofra à vista do fato de que o povo comum, à parte do ministério da pregação cristológica, se prende, dando fé, a pessoas cuja fé, ensino, confissão e consequente condenar e rejeitar não promovem e nem sequer apontam para Cristo, que nos livra da ira de Deus. Ele suplica o que suplica porque constata como a gente inimiga de Deus e do Seu povo tenta incutir doutrina e pensamentos bonitos, contudo, contrários à Palavra de Deus. A presença e a ação dos inimigos de Deus e do Seu povo suscitam sofrimento ao salmista. Pois interferem no ministério e no ofício da Palavra, sem chamado, vocação, incumbência. Por isso mesmo o salmista pede o que pede porque está convencido, pela Palavra, que perdida a ela e a fé incomum é impossível alcançar certeza do perdão dos pecados por graça divina mediante a fé em Jesus Cristo. Ele não faz justiça com as próprias mãos, porque está ciente de que somente Deus, pela ação do Espírito Santo, se Lhe apraz e aprouver, pode fazer com que as pessoas inimigas se arrependam da falsa palavra e fé, e creiam na Palavra de Deus, cujo centro é Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem.

O salmista no seu salmodiar faz referência a muitos nomes próprios, que facilitam a localização da ocasião especial dos versículos desse Salmo. Mas a história não informa nada ou se sabe muito pouco sobre uma união entre todos os povos mencionados aqui, embora individualmente todos eles estivessem frequentemente em guerra com Israel. É certo, no entanto, que os sírios só entraram em contato hostil com os israelitas durante as ‘guerras de libertação’, quando da posse da terra prometida, já que recusaram a oferta de paz, desde que não se colocasse a perder a promessa alusiva a Cristo. Deve-se notar também que o salmista, para citar exemplos de grandes vitórias israelitas, volta aos tempos de Baraque e Gideão, falando assim a uma geração que não tinha vitórias das quais se orgulhar no presente. O tom do Salmo também é mais ‘religioso’ do que ‘guerreiro’, pois o salmista espera ajuda não da espada, mas do céu, de Deus, que disse que haveria de abençoar todos os povos da terra, mediante o nascimento de Cristo, contanto que cressem nEle. Nós nos encontramos numa época em que todo o mundo pagão e hostil a Cristo, Seu Evangelho, o Espírito, a fé rara parece estar conspirando contra o pobre e indefeso povo da Palavra, que, diferente da ideia, é frágil. Aliás, sempre houve e há quem desafia a Deus e descrê a Palavra: lei e Evangelho.

Uma observação necessária: na época em que o Salmo foi salmodiado, a Assíria, não é o império assírio da época de Isaías, mas a Síria selêucida, que como nome, não é assim conhecida e nem nominada no Antigo Testamento, mas apenas uma abreviação de Assíria, e os governantes macedônios do país eram, na verdade, os sucessores indiretos dos antigos assírios, que conspiravam contra o povo da Palavra, e assim lhes ‘forçavam’ a invocar e crer em Deus, o Altíssimo, cujos grandes feitos o salmista salmodia. Ele ouve e responde as orações do Seu povo, conforme Lhe apraz, de modo que não seja destruído completamente, mas, sim, sempre haja um remanescente fiel, do lar ao Governo. Louvemos ao nome do SENHOR!

Please follow and like us:

Pastor Airton Hermann Loeve

Pastor Airton Hermann Loeve – Igreja Evangélica da Confissão Luterana no Brasil (IECLB) – Lapa/PR.
Entre em contato com Pastor Airton Hermann Loeve: pastor.air.ton@hotmail.com