Sl 90 – Ainda que não substitua o texto em si, vamos à introdução, com vistas à interpretação e explicação contextualizada e atualizada, cristologicamente, dos Salmos, que têm em vista o conhecimento e a glória de Deus, em aroma suave, mediante Jesus Cristo. E nEle, na unidade do Espírito Santo, de fé em fé, edificação luteradora das consciências pávidas, exortação de soberbos e empedernidos, e consolo necessário, profícuo, ubérrimo dos corações atribulados.
O Salmo 90 é um Salmo didático no qual Moisés ensina doutrinando de onde vem a morte, a saber: do pecado. Deus, o criador do ser humano, não o criou, à Sua imagem e semelhança, no contexto de inocência original, para que viva e morra, mas para que fosse eterno. A morte entrou no mundo com a queda de Adão e Eva em pecado, como consequência do seu decair da Palavra e da fé para a incredulidade, e da incredulidade para o pecado concreto, que mesmo possível de ser perdoado, tem consequências. Com a queda, o real peso do pecado só Deus mesmo conhece. Ele, o pecado, é oculto ao mundo, que se tornou cego espiritualmente. Ainda que não crido e nem confesso, a condição de pecado, desde a queda, é inata a todas as pessoas, de modo que elas não podem não pecar. Em suma: a morte é consequência do pecado, que provocou Deus à ira. O ser humano não é mais, em seu ser, muito bom. O Salmo também ensina como a nossa vida na terra, em consequência do pecado, é transitória, fugaz, contraditória: diariamente, aos poucos, vamos aumentando em dias de vida e, ao mesmo tempo, envelhecendo. E podemos morrer não só em virtude da velhice. Muitos outros males podem ser causa e causador de morte e mortande. E convém que nós, em comunidade, nos tenhamos por conscientizados do fato a fim de que procuremos ajuda e graça junto a Deus, que é eterno. Só Ele nos pode, por graça divina, via fé pessoal em Jesus Cristo, nos livrar e libertar do pecado, da morte, do diabo, de todo o mal. Aliás, segundo o salmista, só as pessoas tolas não pensam e nem consideram o quão transitórios somos. Pior. Cegadas pelo pecado e pecados, não perguntam por Deus e nem procuram Sua graça ou ajuda, via Cristo. E o salmista encerra o seu salmodiar de modo súplice no sentido de que o próprio Deus, via Palavra, nos revele, pela ação do Espírito Santo, a nossa condição de pecado e morte, e que, só Jesus Cristo, sem nossa participação, contanto que nEle creiamos, nos pode livrar e libertar da morte, tanto como condição quanto como fato objetivo. Mais. Que sempre vivamos como gente que é cristóloga, que opera e age, tanto no regime espiritual quanto no secular, crente de que dependemos de Deus, sempre. E também somos responsabilizados e responsabilizáveis pelo nosso pecado e pecados, quer o creiamos quer o obstemos com incredulidade. Enfim, em suma: o nosso ser, viver, agir, se omitir nesse mundo não é um inocente passeio. Eis porque o Salmo, mesmo que contendo poucos versículos, é cheio de, sucinta, rica, pura oração, envolta em doutrina hamartiológica e soteriológica, no sentido de que atentemos, o quanto antes, considerando o fator idade, para os benefícios de Cristo, do Evangelho, do Espírito, da fé incomum, segundo a vontade boa e misericordiosa de Deus, que não quer e nem se deleita na morte do ser humano pecador, antes que creiam em Cristo e mediante a fé nEle seja salvo.
É preciso que nós, não importa quanto tempo vivermos, ouçamos a Palavra de Deus, que é eterna, na perspectiva da eternidade. Ele, Seu Ser, Seu agir, Sua presença não são iguais à nossa. Não é muito importante quando vamos morrer. Antes, que, como mortais, nossa fé seja pura, correta, certeira, verdadeira quanto à vida eterna e por intermédio de quem se pode ser adentrado nela com e via Cristo. Em suma: que creiamos como vital a eternidade e o que é eterno hoje. O milésimo de segundo que virá não está sob nossa autoridade e arbítrio. Viver e morrer como pessoa impenitente e incrédula é fatal. Ninguém pode por ti e nem por mim perguntar e nem sequer buscar e encontrar o Deus misericordioso via Cristo, o Remidor.
P. Airton Hermann Loeve.

