Aumentar salários não é solução mágica para a educação

*Gabriel de Arruda Castro

Uma pesquisa inédita cujos resultados foram divulgados na última semana põe em questão um dos maiores mitos apregoados por sindicatos de professores Brasil afora: o de que os baixos salários dos docentes são a principal razão do mau ensino no país.

O estudo do INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) cruzou dados de mais de 2 milhões de professores com base no ano de 2014. Ao contrário do que o senso comum pode sugerir, os docentes com os piores salários estão na rede privada: R$ 2.599 em média. Naquele ano, a média na rede federal foi a mais alta, de R$ 7.767. Nas escolas estaduais, o valor foi de R$ 3.476 e, nas municipais, R$ 3.116.

Os dados da pesquisa mostram um panorama a ser melhorado. Apenas um em cada 100 professores brasileiros recebe acima de R$3.500, de acordo com o levantamento. Ainda assim, a situação não é de miséria. A média no setor público, em torno de R$ 3.335, 22% acima das particulares, é quase três vezes o valor médio pago a um soldado da Polícia Militar no Brasil.

Os professores merecem uma remuneração digna. Mas não se pode dizer que os baixos salários são a causa do mau desempenho das escolas.

No Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), a média das escolas particulares ao fim do ensino fundamental é de 6 pontos, contra 3,9 das públicas.  Ao fim do ensino médio, as particulares têm 5,7 pontos contra 3,4 das públicas. No Enem, alunos das escolas particulares possuem um desempenho aproximadamente 15% acima dos das escolas públicas.

É verdade que estudantes de colégios públicos e particulares têm perfis diferentes, o que provavelmente influencia os índices. As famílias que mandam seus filhos para escolas privadas costumam ter um nível educacional mais elevado. Ou, se estão nas faixas de menor escolaridade e renda, valorizam a educação ao ponto de fazer um sacrifício financeiro para manter os filhos fora da rede pública.

Mas, se o ambiente familiar e os incentivos domésticos são fatores determinantes, aumentar o salário dos professores da rede pública também não resolveria o problema.

O que parece haver na escola particular, como é comum no setor privado, são incentivos mais claros para os professores. A concorrência do mercado leva essas instituições a buscarem uma gestão eficiente, com pouco desperdício e cobrança de metas. A possibilidade de perder o emprego diante de maus resultados é real, enquanto na rede pública a estabilidade é assegurada – exceto em casos extremos.

Os professores de escola pública, entretanto – ao menos os que têm a voz ecoada pelos sindicatos – costumam ser contrários a avaliações individuais e incentivos por desempenho.

Mesmo que não dê a saída definitiva para os péssimos índices das escolas públicas brasileiras, o  levantamento do INEP mostra o que não é a solução: apostar todas as fichas no aumento salarial de professores.

 

 

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