A bolha em que vivemos

Uma sugestão de documentário para os tempos de política.

Antigamente eu diria que estava zapeando com o controle remoto e acabei caindo neste filme, mas agora não assisto mais TV e essa frase está ultrapassada. Então recomeço dizendo: Estava eu sem nada a fazer olhando o catálogo da Netflix, quando me deparo com o documentário “Dilema das Redes”. Uma obra de uma hora e pouco que merece muito nossa atenção.

No documentário são entrevistados profissionais que criaram os algoritmos e programações avançadas que movem os grandes da internet. Google, Facebook e Instagram, entre outras empresas, trabalham da mesma maneira.

Segundo o documentário, a intenção das grandes empresas não é tornar o mundo melhor ou promover conceitos mais saudáveis. A intenção oficial dentro de cada organização é fazer com que seus olhos não saiam da telinha do celular ou computador. Como isso funciona? Quando você gasta alguns segundos assistindo a algum vídeo de seu interesse, o ‘motor’ (como é chamada a inteligência artificial por trás disso) identifica algumas de suas preferências e já coloca em seguida outro material semelhante ou relacionado. Com isso você se sente acolhido na rede, como se tudo o que existisse concordasse com a sua opinião.

Se eu clico num vídeo falando sobre cachorrinhos, mais cachorrinhos, gatos e passarinhos vão surgir no meu mural de vídeo. Se eu clico em algum assunto sobre meio ambiente, mais e mais disso me é mostrado. A máquina por trás das redes busca satisfazer você pessoalmente e isso cria uma sensação de plenitude. Temos a impressão de que todos os usuários só estão postando coisas relacionadas ao que eu busquei. E isso me torna intransigente e arrogante, achando que as minhas opiniões é que são as dominantes.

Em uma relação familiar paralela, podemos dizer que as redes são a mamãe coruja que não deixa o filho se magoar com a realidade e filtra tudo que ele pode receber de informação.

Explicado o modo de trabalho dos ‘motores’ das redes, podemos afirmar que isso é muito prejudicial, pois, além de incentivar o individualismo, nos deixa mimados e cegos para os interesses alheios.

Mesmo quem é eclético em suas buscas e interesses, tem algum interesse maior em determinado assunto. As redes estão trabalhando sempre para identificar esse pequeno ponto onde você concorda, para poder te oferecer mais do mesmo.

Aí, caro leitor, o usuário que é de direita só vai receber em suas redes notícias relacionadas a Bolsonaro, porte de armas, segurança pública e tal. Se você é usuário de esquerda, vai receber postagens que dizem exatamente ao contrário do usuário anterior. Isso cria, em cada um, uma bolha de informação, onde olhamos para todos os lados e achamos que estamos no lugar certo e com as opiniões sempre populares.

Prá finalizar, assista ao documentário “Dilema das Redes” no Netflix. Você vai, por si só, se tocar da necessidade urgente que existe de sairmos de nossas bolhas e vivermos o mundo como ele é realmente. Fará muito bem para você, sua família e, principalmente para a sociedade como um todo.

Por hoje é só.

 

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Aramis José Gorniski


Entre em contato com Aramis José Gorniski: aramizinho@gmail.com