1. NÃO SE PODE SERVIR A DOIS SENHORES

Jesus Cristo, nosso único e suficiente SENHOR e Salvador, disse: “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um, e amar ao outro; ou se devotará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e ao Mâmon” – Mt 6.24.

Aqui, Jesus Cristo, não um mortal qualquer, emite um juízo terrível sobre os gananciosos, particularmente, sobre Seus contemporâneos judeus, que eram autênticos gananciosos e ainda assim, mascarados sob sua justiça das obras e da lei, queriam ser considerados verdadeiros santos e grandes servidores de Deus, como fizeram e fazem todas as pessoas em sua fé, teologia, culto, piedade autoinventada. É como se Ele dissesse: vocês acham que estão muito bem, servindo a Deus com muita seriedade. Na verdade, porém, não passam de malandros mesquinhos, que tudo fazem por amor ao Mâmon, mesmo servindo também a Deus. Mas o que consta é o seguinte: ninguém pode servir a dois senhores ao mesmo tempo; se querem ser servidores de Deus, não podem servir ao Mâmon. Jesus está falando de dois senhores incompatíveis e não aos que governam em conjunto; pois não há incompatibilidade quando sirvo ao chefe ou ao patrão e também a Deus; pois aqui as coisas têm sua ordem, de modo que, quando obedeço ao inferior, também estou servindo ao superior, é como um pai de família que manda, quando é preciso, sua esposa ou filhos à criadagem ou empregados com ordens do que deve ser feito; aí não há vários, mas, apenas, um senhor e tudo vem de um senhor. Fala-se de “dois senhores” quando eles são incompatíveis e dão ordens contraditórias e até mesmo contrárias, como Deus e o diabo. Deus diz: não serás ganancioso nem terás outro deus. O diabo, entretanto, diz: tu podes perfeitamente ser ganancioso e servir ao Mâmon.

Também a própria razão ensina que é intolerável servir a dois senhores antagônicos ao mesmo tempo, embora o mundo o saiba fazer magistralmente. Conforme certo adágio popular seria como dizer: “carregar, ao mesmo tempo, a árvore sobre os dois ombros” e “soprar, ao mesmo tempo, quente e frio com a mesma boca”. É como quando uma pessoa investida de um cargo público serve à outra autoridade e dela recebe salário, mas, ainda assim, com logro e má-fé, a engana e a delata à outra autoridade, tomando dinheiro também desta, indo atrás dos caprichos do tempo: se chove aqui, lá brilha o sol. Desse modo, trai e engana a ambos. Na verdade, não estão servindo a ninguém e a própria razão haverá de dizer que tais pessoas só podem ser mesmo pérfidas e traidoras. Se tivesses um empregado, ao qual você paga salário e remuneração, que anda de olho em outro patrão, que lhe promete mais, e não se importa com seus negócios; e se hoje ou amanhã as coisas fossem mal, e ele passasse para o outro lado, deixando-lhe na mão, que você diria?

Por isso é correto dizer: quem quer ser um empregado leal e servir com fidelidade, não pode prender-se a dois senhores, mas deve dizer o seguinte: Eu sou assalariado do patrão, a ele servirei enquanto estiver com ele, e procurarei o melhor para ele, sem me preocupar com outro. Mas se ele quiser surripiar aqui e roubar acolá, este é um caso para a justiça, pois, como se diz, cá lá entre as pessoas que moram no sítio: “as galinhas que vêm comer em casa, mas põem ovos em outra parte, a gente tem que tornar assunto quando se quer fazer um bom risoto”. Os fariseus também achavam que Deus deveria considerá-los muito santos e dar-se por satisfeito enquanto sacrificavam seus bezerros e vacas no templo, embora cultivassem sua ganância onde podiam. Pois, inclusive, faziam seus negócios e estabeleciam suas bancas de câmbio na frente e dentro do templo, para a maior comodidade de todos e para que ninguém se retirasse sem oferecer seu sacrifício. [Segue na próxima edição].

 

 

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Pastor Airton Hermann Loeve

Pastor Airton Hermann Loeve – Igreja Evangélica da Confissão Luterana no Brasil (IECLB) – Lapa/PR.
Entre em contato com Pastor Airton Hermann Loeve: pastor.air.ton@hotmail.com