Novamente, a escola em debate

O assunto já foi abordado aqui algumas vezes, e gera muita controvérsia entre pais, estudantes, e principalmente professores. Falo da questão do uso do espaço em sala de aula para manifestações de opinião própria. Ou mais precisamente, o chamado projeto “Escola Sem Partido”.

Retomo o tema porque é um assunto recorrente, e ainda vai dar muito “pano pra manga”. O caso recente é uma manifestação da APP Sindicato sendo distribuida nas escolas, manifestando-se contra o projeto. Mas de qualquer ótica que seja observado, o projeto já é vitorioso.

Se nos debruçarmos seriamente sobre o tema, percebemos que a situação não é de extremos – não existe doutrinação num nivel tão alto como é pregado pelos líderes do projeto, e também a sua implantação não vai causar tanto impacto nas salas de aula. Mas a discussão sobre o tema é útil, sim.

Desde que me conheço por gente, muito antes de ser professor, escuto reclamações dos professores falando que os pais não se interessam pela rotina da escola. Bem… essa discussão toda mudou um pouco isso. Alguns pais – nem todos – estão mais preocupados sim com o que os seus filhos estão estudando, e de fato tem acompanhado mais os cadernos e trabalhos dos alunos. E claro, se percebem que tem algo errado, tem todo o direito de reclamar.

Também já se discute mais amplamente quais são os reais problemas das escolas – e não, a tal “doutrinação” é ruim, mas tem pouco impacto. Tudo bem que essa discussão não é tão difundida, mas é maior que a alguns anos.

Outro benefício uma avaliação que ainda está no começo, junto à sociedade, sobre qual é o real papel da escola, e como ela efetivamente deve ser conduzida.

Por isto que acredito que o tal projeto “Escola Sem Partido”, mesmo com os posicionamentos contrários, é bastante válido para todos. E mesmo que não seja aprovado, já ganhou apenas por trazer estes temas importantes à discussão.

Claro, se for aprovado teremos outros benefícios. E não penso na punição sobre professores. Aliás, nunca é demais lembrar: que tipo de professor tem problema com isso? Apenas aqueles que usam a sala de aula para palanque, difundindo suas ideias, e não o conteúdo. Uma minoria. Mas são justamente estes que fazem mais barulho.

Mas quais seriam os benefícios? Simples. A lei em si pede apenas a afixação de um cartaz com direitos que todos os alunos já tem. Só isso. Mas fará uma certa pressão para que pais, alunos e principalmente professores repensem as aulas e os conteúdos.

Nem sempre as mudanças são para melhor. Concordo. Mas se analisarmos a situação do ensino no Brasil, principalmente o ensino médio a partir dos índices internacionais, vemos que temos feito muita coisa errada. Portanto, a chance é muito grande de que qualquer mudança seja positiva.

Outro motivo que o projeto já é vitorioso é que com esta comoção toda que ele gerou, mesmo que não seja aprovado, muitos alunos – ao perceber algum viés ideológico por parte de determinado professor – já busca fontes diferentes das indicadas para conhecer a verdade. Temos visto vários exemplos na internet de alunos confrontando diretamente professores quanto ao determinada condução ideologizada do conteúdo da disciplina. E isso é ótimo, afinal, é desta forma que se cria o verdadeiro senso crítico, e não aquele “senso crítico” pregado pela esquerda, onde a pessoa só raciocina mesmo se concordar com as ideias do professor.

E o mais importante: essa situação já é instalada. Ou seja, não existe forma, razão ou circunstância para imaginar que isso vá parar ou regredir. Portanto, veremos cada vez mais situações de debate de ideias entre alunos e professores, e com o passar do tempo, estes alunos irão questionar cada vez mais o papel das escolas. Este projeto está sendo a semente de algo muito maior, que só poderemos ter uma real compreensão dentro de 30, talvez 40 anos. Espero estar vivo para ver.

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